“Precisamos de uma associação mais atuante”: presidente da Associação Comercial de Santos fala sobre nova gestão

A cada dois anos, desde 1972, especialistas e grandes nomes da indústria cafeeira se reúnem no Brasil, no Seminário Internacional do Café, para discutir tendências, novidades e perspectivas. Em 2024, pela primeira vez após décadas, o encontro migrou do Guarujá para Santos. A decisão veio da Associação Comercial de Santos (ACS), idealizadora e organizadora máster do evento.

Além de uma ligação histórica e comercial do destino com a bebida ­— o Porto de Santos respondeu por quase 80% das exportações do produto em 2025 —, o café traz ainda outras cifras interessantes para o país, impulsionando o turismo de eventos e negócios no Litoral Sul de São Paulo. A edição de 2026 do Seminário, por exemplo, atraiu cerca de mil pessoas e contou com a participação de representantes de 28 países, o que gerou um boom positivo para o setor hoteleiro, o comércio e o segmento de serviços do entorno.

Apesar de a ACS ser o grande nome por trás do Seminário, um evento desse porte só se consolida com a articulação entre o poder público, o trade turístico e a iniciativa privada regional. É o exemplo prático de como o associativismo funciona na realidade: unindo diferentes forças para criar um calendário forte e gerar receita para o mercado local.

Associativismo na prática

Diante de tamanho impacto, mudanças no comando da instituição interessam ao setor hoteleiro. Recentemente, a Associação Comercial de Santos passou por uma transição em sua liderança: Elber Alves Justo tomou posse como presidente no último mês de junho e assumiu o desafio de dar continuidade ao legado de Mauro Sammarco, cuja gestão foi marcada pela modernização de processos e pelo fortalecimento da ACS.

A razão de ser da entidade é encontrar soluções que favoreçam o desenvolvimento econômico e social da região, defendendo os interesses do empresariado e lutando pela evolução da infraestrutura — não à toa, a ACS também é chamada de “Casa do Empresário”.

Alves conhece as dores e os desafios que terá de enfrentar daqui para a frente, uma vez que ele ocupava o cargo de primeiro vice-presidente na gestão de Sammarco e é diretor voluntário no Centro de Aprendizagem e Mobilização Profissional e Social (CAMPS Santos), voltado à formação de jovens em situação de vulnerabilidade social na Baixada Santista. Já em seu discurso de posse na ACS ele defendeu a valorização do associativismo. “O grande apelo que faço é que fortaleçam as Câmaras [Setoriais], façam com que sejam ativas. É isso o que a gente precisa, uma associação mais atuante através dos associados”, disse, conforme noticiado pelo Santa Portal.

As Câmaras Setoriais às quais ele se referiu compõem a estrutura da Associação Comercial de Santos. Cada uma delas — são 26 no total — é constituída por empresas e entidades com atuação específica, “com a finalidade de promover a integração, o intercâmbio de informações, a troca de experiências e o compartilhamento de boas práticas e soluções entre os seus membros, além de discutir e encaminhar demandas e sugestões do seu âmbito de atuação à diretoria-executiva da ACS”, segundo o site oficial.

Elencamos todas as Câmaras a seguir:

  • Agentes de Carga;
  • Armazéns gerais, terminais e contêineres;
  • Assuntos aduaneiros e portuários;
  • Café solúvel;
  • Comércio varejista;
  • Commodities agrícolas;
  • Comunicação, turismo e eventos;
  • Cooperativas de café;
  • Empresas de fumigação e serviços fitossanitários;
  • Exportadores de açúcar;
  • Exportadores de café;
  • Fornecedores e serviços a navios;
  • Incorporação e construção civil;
  • Instituições de ensino;
  • Instituições financeiras;
  • Navegação;
  • Operadores portuários de cais público;
  • Operadores portuários;
  • Petróleo, gás e energia;
  • Produtos industrializados;
  • Saúde;
  • Seguros & benefícios;
  • Serviços & facilities;
  • Tecnologia e inovação;
  • Terminais de grandes líquidos;
  • Transportes.

4 perguntas para Elber Alves Justo, presidente da Associação Comercial de Santos

Retrato oficial de Elber Alves Justo, presidente da Associação Comercial de Santos. Ele veste terno e gravata e sorri, com as mãos cruzadas. O fundo exibe uma parede com documentos históricos emoldurados em dourado.
Elber Alves Justo acredita na força do associativismo para o desenvolvimento econômico e social dos destinos | Crédito: Divulgação ACS

Para compreender os planos dessa nova fase e entender como o fomento ao associativismo será utilizado para destravar projetos e acelerar o desenvolvimento econômico de Santos e arredores, o Portal do Hoteleiro bateu um papo rápido com Elber Alves Justo, eleito em chapa única. Confira a entrevista completa a seguir!

1. Do ponto de vista do fortalecimento do associativismo, qual é o peso estratégico de assumir uma entidade centenária como a Associação Comercial de Santos com esse nível de consenso e união interna? Como essa coesão política facilita a interlocução da associação junto ao poder público e às grandes tomadas de decisão da Baixada Santista?

Eu assumo a presidência da Associação Comercial de Santos totalmente consciente da responsabilidade do cargo e da importância histórica que a instituição tem para o desenvolvimento de Santos, cidade onde nasci e vivo, e com o compromisso de manter a ACS no protagonismo das iniciativas que visem ao crescimento não só da cidade, mas também da região e do Brasil, apoiando e defendendo os interesses setoriais das nossas associadas por meio de iniciativas que gerem valor, conexões e desenvolvimento contínuo. Acredito muito na força e na legitimidade do associativismo para dar encaminhamento às grandes pautas do país.

2. Como primeiro vice-presidente na gestão anterior, você acompanhou de perto a modernização administrativa da ACS. Como equilibrar a tradição de uma casa centenária com a agilidade que o mercado de negócios exige hoje?

A gestão do Mauro Sammarco foi marcada pelo aprimoramento de processos, da estrutura, da governança e do fortalecimento da instituição como essa grande indutora de debates, conexão e geração de oportunidades.

Ainda que seja uma instituição com quase 156 anos de história, ela se mantém atualizada e alinhada com os interesses coletivos e com as grandes questões sociais e econômicas que dizem respeito aos setores da economia nacional e internacional. Isso está em seu DNA desde a sua fundação.

3. O associativismo tem um papel crucial como catalisador do desenvolvimento econômico local. Como a sua diretoria pretende atuar para atrair novos investimentos e eventos de grande porte, gerando um efeito cascata positivo para o comércio e para a cadeia de hospitalidade da região?

Na gestão passada, a vertical de Eventos foi criada dentro da ACS justamente porque a instituição, ao longo do tempo, desenvolveu uma expertise na realização de reuniões, seminários, debates e encontros. Em 2025 foram 95 eventos próprios da ACS — alguns inéditos, como a Corrida do Centro Histórico, que incentivou a população não só à prática esportiva, mas também a contemplar a riqueza patrimonial da região.

A própria ACS promove, em seu Salão de Mármore, exposições culturais gratuitas. E, obviamente, há o Seminário Internacional do Café – Santos, o maior de todos os eventos da casa. Criado em 1972 e, na edição deste ano, realizado entre os dias 19 e 21 de maio, movimentou a rede hoteleira, o comércio e o segmento de serviços ao trazer para Santos representantes de 28 países. O compromisso da ACS é com o desenvolvimento econômico, social e sustentável de todos os setores, especialmente daqueles que convergem com as características da região, como o turismo.

4. O apagão de mão de obra qualificada é uma dor comum em vários setores produtivos, incluindo o comércio e a hotelaria. De que forma a sua proximidade com a formação de jovens e a sua bagagem em RH podem conectar as demandas dos associados da ACS à qualificação profissional na Baixada Santista?

A Associação Comercial de Santos já realiza um trabalho muito consistente e engajado na formação e capacitação profissional, com parcerias com o Sebrae, Casa da Mulher, Prefeitura de Santos e o próprio Camps. As Câmaras Setoriais “Instituições de ensino” e “Petróleo, gás e energia”, entre outras, também estão muito focadas nisso, realizando grandes discussões e seminários anuais e aproximando universidades e escolas de lideranças de grandes empresas. Vamos seguir com esse olhar, já que não há desenvolvimento econômico e social sem formação educacional e profissional.

Agora nossas perguntas são para você: como você enxerga o papel de entidades como a Associação Comercial de Santos? A Baixada Santista está no caminho certo para atrair mais eventos e se consolidar como um polo para o turismo de negócios? Como o associativismo tem contribuído para alcançar melhorias na região em que você atua? Deixe sua opinião nos comentários!

Bruna Dinardi
Author: Bruna Dinardi