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Manual da ABIH-SP será lançado em 15/7; polêmica com Booking.com gera expectativa para encontro de negócios de agosto

O encontro de negócios realizado mensalmente pelo Portal do Hoteleiro e pela ABIH-SP está chegando à sua quinta edição e já tem data e local confirmados: 15 de julho, no Pestana São Paulo City Center & Conference Hotel, na capital paulista. O evento visa intensificar o debate em torno das boas práticas de ESG na hotelaria e, por isso mesmo, será palco para o lançamento oficial do manual da ABIH-SP.

Conforme antecipado pelo Portal, esse material será distribuído exclusivamente aos associados e aos assinantes do Portal do Hoteleiro e trará orientações e insights relacionados ao descarte adequado de resíduos. O objetivo é que ele seja uma peça-chave para alcançar uma meta ousada estabelecida pela entidade: eliminar o uso de plástico nos hotéis associados até o final de 2027.

Cada encontro de negócios conta com um número limitado de participantes, e a próxima edição promete ser imperdível. Para marcar presença, basta preencher este formulário — todo o processo é gratuito e restam poucas vagas disponíveis. Vale a pena prestigiar o evento: além do impacto ambiental positivo, adotar uma gestão genuinamente “verde” beneficia o caixa das empresas, já que contribui para a redução de despesas. De quebra, esse posicionamento fortalece a marca e a competitividade do negócio, dado o número crescente de pessoas interessadas em fazer viagens mais sustentáveis.

Quem diz isso não somos nós, não! Essas foram algumas das lições deixadas por Carlos Bernardo, vice-presidente de Operações da Accor Brasil (Hotéis Premium, Midscale e Econômicos) e da ABIH-SP. Ele gravou um webinar exclusivo para o Portal do Hoteleiro justamente sobre as práticas que alavancam a sustentabilidade dentro dos hotéis. Caso queira se aprofundar no assunto, sugerimos a leitura do post Como aplicar boas práticas na hotelaria hoje? VP da Accor e da ABIH-SP responde.

Comissão de 18% da Booking.com será tema do encontro de negócios de agosto

Logo da empresa Booking.com, em azul.
Aumento da comissão cobrada pela Booking.com motivou denúncia de entidades representativas do setor ao CADE | Crédito: Divulgação

Apesar da importância do tema ESG, todas as atenções já estão voltadas para o encontro de negócios do mês de agosto, que deve suscitar o debate sobre vendas diretas. Isso porque a Booking.com anunciou recentemente que vai aumentar para 18% as comissões preferenciais que os hotéis devem pagar à plataforma — até então, as taxas praticadas pela OTA para as propriedades que integram o Programa de Parceiros Preferenciais variavam entre 15% e 16%.

A medida entrará em vigor a partir de 1º de julho e trará consigo uma penalidade algorítmica grave: os hotéis que não aderirem ao novo percentual perderão destaque nos resultados de buscas, o que significa que, se menos pessoas os encontrarem durante suas pesquisas online, o impacto será garantido na taxa de ocupação.

Para os meios de hospedagem de pequeno porte, cuja dependência da OTA tende a ser mais elevada pela falta de uma força robusta de vendas, a mudança deve causar um abalo bastante significativo na margem. Por outro lado, a recusa à comissão implica no encerramento do contrato com a plataforma — e, consequentemente, em abrir mão de um canal de distribuição fundamental. Hoje, a Booking.com responde por algo entre 40% e 60% das reservas intermediadas por OTAs no país.

O que motivou a denúncia ao CADE?

O aumento unilateral das comissões, anunciado com menos de 60 dias de aviso prévio e sem abertura para quaisquer negociações, gerou uma onda de insatisfação na hotelaria nacional. A Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) chegou a enviar um ofício à Booking.com questionando os impactos da medida.

A resposta da OTA chegou, mas não foi satisfatória: os argumentos apresentados foram considerados insuficientes, ancorados principalmente no fato de que foram 12 anos sem reajustes nas condições comerciais no país e que a decisão visava alinhar a operação às práticas já implementadas em outros lugares do mundo. Para as entidades representativas do setor, esse retorno levantou a suspeita de que a política comercial da empresa varia mercado a mercado e que a demora em reajustar as condições no Brasil serviu justamente para aprofundar a dependência dos hotéis.

Um segundo ofício foi enviado pela FBHA, propondo uma revisão desse percentual e que a mudança entrasse em vigor apenas em 1º de janeiro de 2027. Sem obter nenhuma resposta, uma denúncia formal foi apresentada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). A ABIH Nacional está entre as associações que endossaram essa denúncia, ao lado da Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (FNHRBS), do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), da Associação Brasileira de Resorts (Resorts Brasil) e da Brazil Luxury Travel Association (BLTA).

Diante desse cenário, há muita expectativa pelos desdobramentos de tal decisão — e o encontro de negócios de agosto tem tudo para ser um ponto de virada crucial, trazendo luz à necessidade de os hoteleiros fortalecerem seus motores de reserva próprios e de encontrarem um equilíbrio saudável entre vendas diretas e intermediadas.

Bruna Dinardi
Author: Bruna Dinardi