5 sintomas claros de que o hotel enfrenta problemas com manutenção

Dê uma olhada à sua volta. Os elevadores funcionam como deveriam ou vira e mexe um deles está interditado? A pintura e o mobiliário estão em boas condições? As noites são silenciosas ou o ruído do ar-condicionado e do frigobar não deixa ninguém dormir direito? Acredite, poucas coisas dizem tanto como a infraestrutura hoteleira. Somando um detalhe aqui e outro ali, os problemas com manutenção vão deixando o empreendimento com aquele aspecto “cansado”, que até cumpre o básico, mas que definitivamente poderia ser melhor.

A deterioração é uma prova do passar do tempo. Natural, sim, mas muitas vezes ela é o reflexo de uma gestão de manutenção em hotéis que tende a ser mais reativa do que preventiva, o que permite que o hóspede primeiro veja o problema para que depois ele seja corrigido. Cedo ou tarde o impacto disso aparece em reviews negativos, afetando a percepção do público e podendo afastar novos clientes.

Essa realidade ainda compromete a operação, gerando frustração para os funcionários — o ciclo sem fim de ter que consertar o que poderia ter sido evitado — e tornando o dia a dia mais complexo do que ele já é. Confira a seguir cinco sinais de que o seu hotel precisa ajustar esse fluxo antes que a situação se agrave.

5 indícios de que os problemas com manutenção exigem atenção imediata

1. Aumento dos chamados de última hora

Uma mulher vista por trás, falando ao celular enquanto olha para a tela de um notebook, representando uma funcionária abrindo um chamado de manutenção de emergência no hotel.
O excesso de chamados de emergência é um alerta de falta de planejamento com relação à infraestrutura hoteleira | Crédito: Pexels

Por mais redondos que sejam os processos internamente, não tem jeito: de vez em quando algo vai dar errado e será preciso improvisar. O difícil é quando essa se torna a rotina, não a exceção à regra. Uma equipe habituada a depender de chamados de emergência é uma equipe que sabe que a infraestrutura hoteleira não é digna de confiança e que provavelmente está sempre lidando com as mesmas reclamações.

Sem uma estratégia por trás, as soluções acabam sendo paliativas, além de custarem caro — e caro em vários sentidos: peças compradas sem cotação, técnicos trabalhando sob pressão constante, insatisfação do hóspede escalando. Tanto estresse, tanto corre-corre e o hotel continua vulnerável.

2. Reincidência de falhas

A repetição dos problemas com manutenção é um atestado de que os reparos anteriores foram superficiais. Se o mofo cisma em reaparecer em determinadas áreas do hotel é porque o que foi tratado foi só o sintoma, não a causa. É desperdício de tempo e de dinheiro tirar as manchas das paredes e dos tetos e não descobrir onde está o foco primário. De nada adianta também não reforçar o rejunte no box, vedar corretamente a pia do banheiro ou investir em ventilação adequada, por exemplo.

Para a equipe, o que fica é o cansaço do retrabalho; para a gestão, a certeza de que é questão de tempo até que isso venha à tona novamente. E não tenha dúvidas: esse é exatamente o tipo de observação que aparece nas avaliações deixadas pelos visitantes e que puxa a nota do hotel para baixo.

3. Interrupções frequentes em equipamentos essenciais

Close das mãos de uma pessoa ajustando o misturador e testando a água fria que sai da torneira da banheira, ilustrando a falha no aquecimento do chuveiro devido à falta de manutenção.
Chuveiros que não esquentam e ar-condicionado inoperante são exemplos de problemas com manutenção graves, que interferem diretamente na experiência dos hóspedes | Crédito: Pexels

Todo mundo sabe que a gestão de manutenção em hotéis fracassou quando as falhas são tão evidentes a ponto de afetarem equipamentos críticos, como bombas de água, elevadores, caldeiras e sistemas de climatização. Afinal, as consequências são imediatas: hóspedes sem banho quente, ar-condicionado inoperante (ou sistema de calefação desligado, em destinos de inverno), filas enormes para pegar o único elevador disponível.

Em cenários como esse, que não condizem com uma estada que preza pela excelência, toda a operação entra em modo de gerenciamento de crise. Caso não haja um atendimento preparado para aguentar o tranco e amenizar o desgaste, rapidamente o erro “técnico” se transforma em um risco real para a marca, e a fidelização vai se tornando um sonho distante.

4. Negligência (ou inexistência) da manutenção preventiva

Não contar com um plano de manutenção preventiva é sinal de amadorismo, pois reflete falta de planejamento e de visão estratégica na gestão. Adotar o raciocínio do “na hora a gente decide o que fazer”, em vez de trabalhar com um calendário pré-programado de manutenção — como a higienização periódica do ar-condicionado, realização de testes em geradores e inspeção de bombas —, é perigoso. A depreciação na infraestrutura hoteleira pode ser silenciosa (e caríssima), e o objetivo desse cronograma é justamente antecipar defeitos e problemas que os equipamentos possam apresentar.

Vale ressaltar que, hoje, a gestão pode ir ainda mais longe: com o uso de IA, já é possível coletar dados em tempo real dos equipamentos para prever quando determinado aparelho vai falhar e basear-se nesses dados para criar cronogramas de reparos personalizados. Explicamos tudo sobre isso no post Manutenção preventiva na hotelaria: saiba como a tecnologia pode ajudar seu hotel.

5. Interdição forçada de quartos e perda direta de receita

Porta de quarto de hotel azul-escura com o número 302 em amarelo e o interior desfocado, simbolizando uma acomodação interditada para venda devido a problemas com manutenção.
Uma acomodação que não pode ser comercializada devido a problemas com manutenção compromete a saúde financeira de um hotel, ainda mais durante a alta temporada | Crédito: Pexels

Acomodar um hóspede em um quarto com histórico recente de problemas com manutenção é irresponsabilidade. Logo, a decisão mais acertada é bloquear a venda do apartamento temporariamente — o que, é claro, não é nada bom para o caixa. Em períodos de alta demanda, principalmente, cada quarto fora de serviço representa um prejuízo diário e irreversível.

E o impacto não se limita à diária perdida. Além de o bloqueio do quarto distorcer o inventário e bagunçar a lógica por trás da precificação dinâmica, o hotel continua tendo que pagar o custo fixo da acomodação sem receber nada por ela. Na prática, o empreendimento gasta duas vezes — com o quarto parado e com a urgência do reparo.

Virar a chave da manutenção reativa para a preventiva é um desafio e tanto, a gente sabe. Porém, lembre-se: não existe nem operação, nem gestão, nem estada sem infraestrutura hoteleira. Por isso, não feche os olhos caso perceba um ou mais desses sinais que citamos aqui. Eles são graves e podem abalar não só a imagem, como também a saúde financeira do seu negócio.

Inclusive, gostaríamos de perguntar a você: qual desses pontos mais tira o sono da sua equipe atualmente? Ou a manutenção não é um gargalo por aí? Tem algum outro “abacaxi” que acabou ficando de fora da nossa lista? Deixe um comentário com a sua participação!

Bruna Dinardi
Author: Bruna Dinardi