Inteligência de dados na gestão hoteleira: 7 métricas que salvam a margem de lucro

Taxa de ocupação, tarifa diária média, receita por quarto, histórico dos clientes, avaliações deixadas pelos hóspedes, gráficos gerados pelos channel managers, planilhas repletas de custos fixos e variáveis. O volume de informação que circula internamente em um meio de hospedagem é algo extraordinário — e saber fazer a leitura correta desses números é uma habilidade em voga no momento. Entretanto, esses dados só são realmente úteis para a gestão hoteleira quando eles refletem a eficiência e a rentabilidade do negócio. Do contrário, são apenas ruídos.

O desafio, portanto, não é coletar mais informações, mas ter clareza sobre o que é necessário observar com atenção e o que é secundário. Nesse contexto, ajuda bastante ter indicadores bem definidos. Para ilustrar, vamos listar abaixo alguns dos principais KPIs na hotelaria, focados na lucratividade e na eficiência da operação. Será que eles estão recebendo a devida atenção por aí?

7 indicadores essenciais para uma gestão hoteleira estratégica

Reunião de equipe de gestão hoteleira para análise de KPIs. Um gerente aponta para um gráfico de desempenho financeiro (como GOPPAR ou RevPAR) na tela do laptop, enquanto outro consultor analisa dados complementares no tablet, refletindo sobre estratégias de otimização de margem de lucro. A cena inclui uma agenda de anotações e smartphone sobre a mesa.
A definição de KPIs na hotelaria ajuda a mensurar a rentabilidade e a eficiência dos meios de hospedagem, inclusive no que se refere à experiência e à satisfação dos hóspedes | Crédito: Pexels

KPIs vêm da sigla em inglês “Key Performance Indicators” (ou, no bom e velho português, “indicadores-chave de desempenho”). Eles funcionam como um raio-X do empreendimento, revelando se ele está caminhando na direção certa para alcançar suas metas ou se é preciso recalcular a rota para não comprometer a margem de lucro.

A fim de manter a análise de dados prática e objetiva, o segredo é focar nos indicadores que conectam o dia a dia operacional à saúde financeira do hotel. A seguir, elencamos sete importantes KPIs de receita, custo e satisfação do hóspede, que devem servir como uma bússola para a tomada de decisões da liderança.

1. Receita por Quarto Disponível (RevPAR)

É o indicador de desempenho mais tradicional do setor, pois revela quanto o empreendimento está ganhando por cada quarto disponível, estejam eles ocupados ou não. E é claro que quartos vazios puxam a rentabilidade do hotel para baixo. Sendo assim, o RevPAR escancara o impacto das UHs ociosas na receita e lembra o gestor da importância de buscar alternativas para mudar esse cenário — como investir na comercialização de day use, na locação de apartamentos para ensaios e produções de mídia e cobrar pelo early check-in e late checkout, para citar alguns exemplos.

Com base nesse indicador, a gestão hoteleira consegue visualizar se sua estratégia de precificação está adequada ou se há espaço para maximizar a receita. O RevPAR existe para mostrar que uma taxa de ocupação alta nem sempre é sinônimo de rentabilidade, já que tarifas muito baixas às vezes não cobrem nem sequer os custos com limpeza e manutenção das acomodações.

  • Como calcular? Receita total de diárias em determinado período ÷ número de quartos disponíveis no mesmo período

2. Lucro Operacional Bruto por Quarto Disponível (GOPPAR)

Assim como o RevPAR, o GOPPAR também visa colocar na balança quanto dinheiro cada acomodação traz para o hotel. Porém, há uma diferença fundamental entre as duas métricas: o GOPPAR leva em consideração todas as fontes de receita do empreendimento e desconta os custos e despesas operacionais demandados pela estrutura como um todo, revelando quanto cada UH gera de lucro bruto operacional. Isso permite que a gestão hoteleira entenda se os aumentos no faturamento estão se traduzindo, de fato, em rentabilidade para o negócio.

  • Como calcular? (Receita total do hotel – custos e despesas operacionais) ÷ número de quartos disponíveis em determinado período.

3. Custo Por Quarto Ocupado (CPOR)

Esta métrica revela quanto custa para o hotel manter um quarto ocupado por uma noite — aqui, estamos falando de despesas com lavanderia, amenities, energia elétrica, água, limpeza, desgaste de enxoval e afins. Esse índice varia conforme o número de pessoas acomodadas em cada quarto. Não confunda o CPOR com os custos fixos, que correspondem àquelas despesas que o empreendimento sempre terá, como impostos, folha de pagamento e seguros.

Mapear o CPOR é indispensável para a gestão hoteleira porque é esse valor que vai ajudar a definir a tarifa mínima aceitável a ser praticada pelo hotel, garantindo que o valor da diária seja suficiente para cobrir os custos operacionais gerados pela presença do hóspede.

  • Como calcular? Custos operacionais dos quartos ocupados em determinado período ÷ número de quartos ocupados no mesmo período.

4. Receita Média por Hóspede (RevPAG)

Um dos KPIs na hotelaria mais importantes, sobretudo para empreendimentos que não são estritamente corporativos e que vendem mais do que somente diárias, o RevPAG aponta quanto cada hóspede contribui para a receita total do hotel. Para isso, leva em consideração todas as fontes de receita disponíveis: serviços de A&B, massagens e tratamentos voltados ao bem-estar, day use, aluguel de espaços para eventos, manobrista etc. Essa análise de dados funciona ainda como um termômetro, avaliando quão eficientes são as vendas nesses pontos de consumo “extras”.

  • Como calcular? Receita total do hotel em determinado período ÷ número total de hóspedes no mesmo período.

5. Custo de Aquisição de Clientes (CAC)

Mensura o quanto o hotel precisa gastar para conquistar um novo hóspede. Entram nessa conta: comissões pagas às Online Travel Agencies (OTAs), custos com anúncios e campanhas publicitárias e salários das equipes de Vendas e Marketing, por exemplo. Essa métrica costuma vir atrelada a outro indicador crucial, o Lifetime Value (LTV, ou “valor do ciclo de vida do cliente”), que mede a receita gerada por um cliente enquanto ele se mantiver ativo e “fiel” à empresa. No melhor dos cenários, o CAC é baixo e o LTV é elevado.

  • Como calcular o CAC? Custos totais de marketing e vendas em determinado período ÷ número de novos hóspedes captados no mesmo período.
  • Como calcular o LTV? Ticket médio x frequência média de compra x tempo médio de relacionamento (em anos).

6. Net Promoter Score (NPS)

Aprender como avaliar o desempenho de hotéis vai muito além de analisar a parte financeira: exige olhar também para a experiência do hóspede. E é aí que entra o Net Promoter Score (NPS), um dos KPIs na hotelaria que todo gestor deveria comer com arroz e feijão por colocar em xeque a satisfação e a lealdade do cliente.

O NPS é uma métrica simples de se obter. Basta pedir para que o hóspede responda a uma única pergunta: “Em uma escala de 0 a 10, quais são as chances de você recomendar os nossos serviços a familiares e amigos?”. A construção da pergunta pode variar ligeiramente de hotel para hotel, mas o intuito é sempre o mesmo: descobrir quão satisfatória foi a estada e, assim, identificar os clientes mais propensos à fidelização e com maior potencial para se tornarem promotores da marca, compartilhando suas boas impressões com seu círculo social.

  • Como calcular o NPS? Em primeiro lugar, é preciso dividir as respostas obtidas em três grupos: promotores (notas 9 e 10), neutros (notas 7 e 8) e detratores (notas 0 a 6). Feito isso, é só utilizar a fórmula NPS = % Promotores – % detratores (os neutros não entram na conta).

Importante: sempre trabalhe com percentuais. Por exemplo: imagine que, após aplicar a pesquisa, foram obtidas 100 respostas. Desse total, 60 vieram de promotores (60%), 20 foram neutras (20%) e 20 vieram de detratores (20%). O cálculo, nesse caso, seria feito da seguinte maneira: 60% – 20% = 40%.

A interpretação dos resultados no mercado corporativo se dá de acordo com a escala abaixo:

– entre 75% e 100%: excelente;
– entre 50% e 74%: muito bom;
– entre 0 e 49%: razoável/necessita melhorias;
– abaixo de 0%: crítico.

7. Customer Satisfaction Score (CSAT)

Há, ainda, mais um indicador interessante para a gestão hoteleira em termos de experiência do hóspede: o Customer Satisfaction Score (CSAT), que mede a satisfação em momentos específicos da jornada (como a agilidade no check-in, a limpeza do quarto ou a qualidade do café da manhã). Dada a sua natureza pontual, o CSAT é uma pesquisa que geralmente ocorre em tempo real — ao contrário do NPS, que é mais frequente no pós-venda.

Se, por um lado, essa particularidade torna o CSAT perfeito para a correção rápida de falhas operacionais, por outro ele não fornece uma visão completa da experiência do cliente. Daí a necessidade de complementar a análise de dados com insights vindos de outros indicadores de satisfação.

Quando bem utilizados, o CSAT e o NPS identificam pontos fracos da operação, justificam mudanças nos processos internos e protegem a reputação da marca, além de beneficiarem a taxa de ocupação.

  • Como calcular o CSAT? Tudo gira em torno de perguntas como “Qual é o seu nível de satisfação com nosso produto ou serviço?”, cujas respostas tendem a vir em escalas de 1 a 5, sendo o 5 o nível mais alto de satisfação. Logo, consideram-se respostas “positivas” ou “satisfeitas” as notas 4 e 5.

Depois, é preciso aplicar a fórmula (Número de avaliações positivas ÷ número total de avaliações recebidas) x 100. O ideal é manter-se acima dos 70%.

Tecnologia: a ponte entre os KPIs na hotelaria e a eficiência

Marca oficial do projeto "Retrofit tecnológico de hotéis" em destaque. Ao fundo, uma recepcionista atende no balcão de um hotel com iluminação contemporânea, reforçando o conceito de modernização do setor.
Projeto “Retrofit tecnológico de hotéis” mira na modernização do setor hoteleiro e na excelência da hospitalidade no Brasil | Crédito: Reprodução/Portal do Hoteleiro

Fazer a leitura correta dos KPIs na hotelaria é vital para empreendimentos que buscam uma gestão de alta performance. Contudo, a análise de dados não faz nenhum milagre sozinha; é preciso que a tomada de decisão seja acompanhada por soluções práticas. Afinal, de nada adianta detectar problemas de agilidade no check-in ou custos elevados por quarto sem atualizar as ferramentas que sustentam o funcionamento do hotel ou sem realizar melhorias na infraestrutura.

Sob essa ótica, a tecnologia tem muito a acrescentar: recursos modernos de automação e conectividade possibilitam implementar um sistema de inteligência de dados que converse diretamente com a rotina operacional, proporcionando economia à gestão hoteleira, adicionando fluidez aos processos e elevando o padrão de excelência oferecido ao hóspede.

Só que, para incorporar essas mudanças e dar esse passo rumo à modernização da infraestrutura, é necessário planejamento e, acima de tudo, o respaldo de especialistas. O projeto “Retrofit tecnológico de hotéis”, criado pelo Portal do Hoteleiro e pela ABIH-SP, nasceu justamente com esse propósito: disponibilizar a expertise técnica de um time de consultores ­altamente capacitado para que os hotéis tenham acesso a soluções personalizadas de automação e conectividade.

O grande nome por trás desse projeto é José Roberto Muratori, diretor da Marbie Systems e um dos profissionais mais renomados do país na área de automação residencial e predial. Explicamos tudo sobre essa iniciativa no post Automação e retorno em 18 meses: como funciona o retrofit tecnológico de hotéis. Vale a leitura!

Bruna Dinardi
Author: Bruna Dinardi