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Automação e retorno em 18 meses: como funciona o retrofit tecnológico de hotéis

“Automação não vive sem conectividade e conectividade não faz muito sentido sem automação atualmente”. Foi isso o que disse José Roberto Muratori, diretor da Marbie Systems, para o seleto grupo de hoteleiros presentes no segundo encontro de negócios promovido pelo Portal do Hoteleiro e pela ABIH-SP. Durante o evento, realizado no Espaço InovaNEX, em São Caetano do Sul (SP), ele fez uma apresentação sobre o projeto “Retrofit tecnológico de hotéis”, uma iniciativa também do Portal e da entidade paulista que visa estimular a modernização do setor e levar a hospitalidade a outro patamar no Brasil.

Mais do que diferenciar os hotéis, a ação tem como intuito reforçar como a tecnologia pode atenuar grandes desafios enfrentados pela hotelaria – entre eles, destaque para os custos elevados com energia elétrica, falta de mão de obra, avaliações negativas e exigência crescente dos clientes. No escopo do projeto, esses desafios foram enquadrados em três pilares: personalização (demanda por serviços exclusivos e sob medida), segmentação (ênfase na complexidade de atender viajantes com perfis distintos) e custos operacionais (com foco na necessidade de otimizar recursos sem abrir mão da qualidade).

Além disso, é preciso considerar que a expectativa em relação à experiência digital do hóspede aumentou. “O cenário mudou, mas o hóspede também. […] As pessoas, hoje, querem ter uma experiência digital nos hotéis, [principalmente] os millennials e a geração Z. Você tem [que ter] um atendimento humanizado, mas ao mesmo tempo uma eficiência digital”, explicou. Nesse sentido, a tecnologia é essencial, uma vez que o uso de determinadas ferramentas permite desafogar os funcionários de atividades rotineiras e cansativas, oferecendo mais tempo para eles se dedicarem ao atendimento. “Vocês saem ganhando”, resumiu o executivo.

Em quais áreas dá para implementar o retrofit tecnológico de hotéis?

A resposta para essa pergunta é simples: em praticamente todas. No entanto, como há tecnologias específicas para cada área, é preciso que o empreendimento defina qual é a sua prioridade e vá incorporando as mudanças gradualmente. O projeto inteiro foi estruturado em quatro alicerces:

  • acomodações;
  • espaços de convivência (restaurantes, academia, lounge etc.);
  • áreas de eventos;
  • utilidades (referentes ao consumo de energia elétrica, água e gás, por exemplo).

“A gente visitou hotéis que tinham problemas ainda crônicos com abastecimento de água, [com] briga com a concessionária porque não consegue fazer a medição. Aí de repente acaba a água e a concessionária diz que é problema de vazamento no hotel. São coisas assim, específicas, mas nós temos a tecnologia. […] Alguns hotéis que nós estamos atendendo em regiões turísticas já estão, [pelo menos] a maioria deles, voltados à questão da sustentabilidade, com energia fotovoltaica e reaproveitamento de água. E, se não estão, a gente pode, de alguma forma, colaborar nessa parte”, salientou Muratori.

O quarto inteligente: um sonho possível com a automação hoteleira

Infográfico de um quarto inteligente com indicações para comando de voz, automação de cortinas e iluminação, sensores de eficiência energética e controle de TV e som via smartphone.
A experiência digital do hóspede pode ser turbinada no interior das acomodações com a adoção de recursos acionados via comando de voz, sistemas de automação e sensores inteligentes | Crédito: Reprodução/Portal do Hoteleiro

Uma das principais vantagens de aderir ao retrofit tecnológico de hotéis é ver as acomodações ganhando vida – por mais contraditório que isso possa parecer, já que estamos falando de automação (ou seja, pura tecnologia).

De olho no conforto absoluto e na experiência digital do hóspede, faz sentido apostar em assistentes virtuais, como Alexa ou Google Nest, cujos recursos trazem comodidade extra à estada. Previsão do tempo, notícias do dia, configuração de timers e alarmes, controle da iluminação, criação de rotina, solicitação de playlists e até piadas: dá para ter acesso a tudo isso por comando de voz. A facilidade parece agradar bastante gente: em 2025, foram registrados 15 milhões de dispositivos Alexa sendo utilizados mensalmente só no Brasil, sabia?

Investir em um bom sistema de entretenimento (TV, streamings, controle do som) é igualmente fundamental, mas os benefícios trazidos pela automação hoteleira vão muito além. Hoje, dá para instalar cortinas motorizadas (o que, inclusive, gera menos manutenção no dia a dia) e sensores de presença e eficiência energética, que sinalizam se o ar-condicionado está funcionando em um quarto vazio ou se o hóspede deixou as luzes acesas ao sair.

“Temos soluções avançadas e de ótimo custo-benefício para tudo isso. [De quebra] Você só vai deixar o prestador de serviço entrar no quarto, seja o faxineiro, seja a equipe de manutenção, se você tiver certeza de que ninguém está lá, e hoje nem sempre isso é viável. Você também vai poder manter o quarto em um regime de consumo ideal, desligando as coisas se realmente não tiver ninguém. Os sensores detectam até alguém que está dormindo, então você não vai desligar com a pessoa lá dentro. […] A manutenção pode fazer esse gerenciamento de uma forma bem adequada”, explicou.

Outro ponto positivo que ficou claro com a palestra de Muratori é que a automação não é restrita a um único tipo de empreendimento: o retrofit tecnológico de hotéis é para todos. De acordo com ele, “dá para fazer muita coisa [em termos de quarto inteligente]. Depende muito de cada tipo de apartamento, público que você recebe, diária, tamanho do quarto. […] A gente está atendendo hoje o Hotel Nacional, do Rio, aquele hotel lá de São Conrado, icônico, com suítes de 102 m², e tem hotéis aqui com 15 m², com 12 m². A gente vai se adaptar [à realidade de cada negócio]”.

Guest Facilities: excelência no atendimento, zero complicações

Como mencionamos logo no início do texto, automação e conectividade em hotéis caminham juntas. Um dos melhores exemplos disso atende pelo nome de “Guest Facilities”, uma plataforma digital que tem como objetivo agilizar o atendimento ao hóspede só de ele apontar o celular para um QR Code disponibilizado em sua acomodação.

Esse código o direciona a um link do WhatsApp que identifica automaticamente sua localização, apartamento e idioma. Por meio desse canal exclusivo ele consegue obter informações gerais do hotel, fazer pedidos para o time de A&B, acessar o extrato da conta e até efetuar o checkout. A cereja do bolo: o usuário não precisa baixar nenhum outro app, é só ler o QR Code.

“A gente faz questão de dizer que [o Guest Facilities] faz parte do retrofit tecnológico de hotéis. O empreendimento nos chamou para fazer uma melhora na iluminação e no ar-condicionado do quarto, mas por que não melhorar também o atendimento e as funcionalidades que o hóspede tem?”, questionou o diretor da Marbie Systems durante sua apresentação.

Mais dados, menos custos e retorno em 18 meses

Close-up das mãos de uma mulher usando um smartphone para fazer cálculos financeiros. Ao fundo, ela segura notas de dinheiro sobre uma mesa de madeira com documentos, representando o payback de projetos tecnológicos.
Faça as contas: investir em automação e em um projeto de retrofit tecnológico de hotéis costuma ter um payback de menos de dois anos. Vale ou não a pena? | Crédito: Magnific

Lembra que a gente comentou que um dos pilares do projeto são os custos operacionais? Pois bem, um dos aspectos mais legais trazidos pela automação hoteleira é a geração de dados, o que permite que o hoteleiro tenha uma visão mais abrangente e mais certeira de quais processos precisam ser mais eficientes. Essa precisão na leitura de cenário, digamos assim, eventualmente leva à redução de custos – mais especificamente, a uma redução de 30% nas despesas operacionais, especialmente em energia.

“Além de melhorar o desempenho pontual de alguns equipamentos – ligar e desligar o ar-condicionado, monitorar a bomba da caixa d’água, abrir e fechar cortinas sem intervenção humana –, você pode gerar métricas. […] Tem 100 apartamentos no hotel. Por que alguns gastam mais energia do que outros? […] Provavelmente o aparelho do ar-condicionado está mal dimensionado ou com problema de manutenção […] Automação não é só […] aquela coisa bacana; é coleção de dados que a gente consegue entregar para os gestores, [contribuindo para] redução de erros e fidelização [dos hóspedes]”, completou.

E demora para ver esses resultados na prática? Segundo Muratori, não. Aliás, aqui vai um dado interessante sobre isso: o investimento no projeto de retrofit tecnológico de hotéis costuma se pagar em 18 meses. Com o aprimoramento da experiência digital do hóspede e o apoio de uma infraestrutura eficiente e inteligente, é compreensível que haja um aumento da diária média, ainda que pequeno. Isso, somado à redução real de custos, é o que viabiliza esse payback extraordinário.

“O investimento é rápido, o retorno dele é rápido. […] Quando você mostra redução de custos, de desperdício, [investimento em] inteligência artificial e Internet das Coisas, isso valoriza muito o investimento que você vai fazer e você consegue, então, [uma linha de crédito com] carência e uma taxa de juros mais baixa. […] Se tudo der certo, você vai pagar o investimento depois que ele já rendeu”, disse.

Como participar do programa?

Tudo isso soa muito atrativo, né? A gente concorda. Para aderir ao programa, basta preencher um formulário e fornecer dados básicos, sinalizando em quais áreas o retrofit é necessário. Com base nessas informações, o time de consultores do projeto – encabeçado por Muratori e por Renato Pardo, da Net4Guest – sugere soluções personalizadas em automação, conectividade e sustentabilidade. Ah, e detalhe: esse primeiro diagnóstico é gratuito, viu?

Para assegurar a excelência na execução de todos os empreendimentos que resolverem seguir em frente com a iniciativa, um time de integradores está sendo recrutado e capacitado em várias regiões do Brasil para atender à demanda.

O que você acha de tudo isso, hein? Você concorda que a tecnologia favorece a experiência do hóspede? Tem outros exemplos na manga para compartilhar em termos de automação e conectividade em hotéis? Conte para nós nos comentários!

Bruna Dinardi
Author: Bruna Dinardi