Como avaliar o atendimento na recepção do hotel: 7 alertas de crise

Ao lidar diretamente com o público, poucas coisas são tão importantes quanto a primeira impressão. Na hotelaria, por exemplo, nem mesmo a mais sofisticada das instalações é capaz de superar a falta de tato de um funcionário ou a lentidão nos processos. Quando esses deslizes ocorrem durante o atendimento na recepção do hotel, o hóspede pressente o perigo logo de cara: se esse é o padrão já no balcão de boas-vindas, o que esperar do restante da estada?

Às vezes essa queda na qualidade é explicada pela falta de treinamento, mas também pode ser um sintoma de que a equipe da recepção está trabalhando no limite. Mais cedo ou mais tarde o cansaço e o estresse acabam cobrando o seu preço e impactando o dia a dia, mesmo que as consequências levem um tempinho para se tornarem perceptíveis.

Para ter certeza de que o empreendimento em que você atua não está passando por esse tipo de situação, listamos abaixo sete indícios de que o front desk já teve dias melhores. Convidamos você a avaliá-los com calma, para que seja possível identificar qualquer um desses sinais antes que eles interfiram na experiência do hóspede.

7 sinais de que o atendimento na recepção do hotel precisa melhorar

1. Atendimento grosseiro, impaciente ou mal-educado

Um jovem hóspede de cabelos cacheados e camisa amarela aguarda no balcão branco de uma moderna recepção de hotel. Uma recepcionista, de cabelo curto e camisa branca, está concentrada lendo documentos que segura, enquanto o hóspede olha para ela. O ambiente tem paredes de madeira clara e uma luminária de teto decorativa, ilustrando um momento de interação durante o atendimento na recepção do hotel.
Lidar com o público é uma atividade que exige cordialidade e gentileza constantes, sobretudo em um setor como a hotelaria. Do contrário, o atendimento pode resultar em reclamações dos hóspedes | Crédito: Pexels

Embora esse possa parecer um simples problema de comportamento, ele esconde algo ainda mais grave, além de ser a primeira coisa que o cliente nota. Cordialidade, gentileza, simpatia e empatia são características esperadas da equipe da recepção, mesmo porque não dá para conquistar a satisfação do hóspede com rudeza ou mau humor. No entanto, sorrir com os olhos e até no tom de voz, proporcionando um acolhimento genuíno, exige energia emocional, algo que pessoas mental e fisicamente exaustas não conseguem entregar.

Por isso, quando os colaboradores começam a responder com rispidez, demonstram impaciência ao tirar dúvidas ou atendem no piloto automático, sem o brilho e a espontaneidade que a posição demanda, provavelmente o time está sobrecarregado, os sistemas e os processos internos não funcionam como deveriam ou as escalas de trabalho estão desequilibradas. É preciso identificar a causa o quanto antes para manter a ameaça da desmotivação bem longe do balcão — e das avaliações dos hóspedes, é claro.

2. Falta de atenção aos detalhes, inclusive à própria aparência

Conquistar a fidelização dos clientes envolve oferecer a melhor hospedagem possível. E isso pede por uma atenção redobrada aos detalhes por parte da equipe da recepção. Porém, é complicado manter a concentração quando o estresse está lá em cima — há estudos que comprovam que níveis altos demais de cortisol, o hormônio que mantém a pessoa em estado de alerta, não apenas comprometem o funcionamento do organismo, como ainda diminuem o volume cerebral, derrubando drasticamente o desempenho na execução de atividades cognitivas.

Quando esses “apagões” se tornam frequentes, é hora de investigar. O hóspede certamente vai se sentir frustrado se ele especificou que gostaria de ficar em um quarto em um andar alto e, ao chegar, descobrir que a chave em suas mãos é para uma acomodação no térreo. A mesma coisa vale para a família que ressaltou a necessidade de um berço, mas chegou à acomodação e encontrou a configuração padrão de camas.

A negligência com a própria aparência também é um indício de que o colaborador não está 100% — e ainda pode passar a impressão de amadorismo. O uniforme de repente está sempre desalinhado, o crachá é esquecido, o cabelo despenteado. A imagem pessoal conta muitos pontos quando se trabalha frente a frente com o público, e essa súbita indiferença por parte do colaborador mostra ao gestor que o cansaço tomou conta.

3. Ambiente desorganizado e sujo

Visão aérea de uma mesa de trabalho completamente desorganizada e cheia de objetos espalhados. Há um notebook aberto cercado por diversas cadernetas, livros abertos, folhas com anotações e fórmulas matemáticas, canetas, papéis amassados e muitos blocos de notas adesivas coloridas (nas cores rosa e amarelo) colados por toda a parte, ilustrando o caos operacional e a sobrecarga na rotina de processos.
Mesa bagunçada, mente fora de controle: o ambiente de trabalho interfere na percepção de qualidade que o hóspede tem do serviço | Crédito: Pexels

O balcão é o ponto de contato físico do hóspede sempre que ele procura por atendimento na recepção do hotel. Portanto, se o que ele vê ao se aproximar é o puro suco do caos — papéis espalhados, anotações em post-its por toda a parte, copos descartáveis usados —, sua percepção de qualidade inevitavelmente será abalada.

Para o gestor, a bagunça sinaliza que o time está sendo engolido pelo volume de trabalho. Para o colaborador, o que ele vê é uma extensão do seu próprio estado mental. Trabalhar imerso na desordem sabota a concentração, aumenta a ansiedade e gera aquela sensação constante de que as pendências operacionais nunca vão acabar.

4. Lentidão para retornar às solicitações e aos problemas dos hóspedes

A chegada da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) digital veio com a promessa de agilizar o check-in, um dos processos efetuados durante o atendimento na recepção do hotel com maior potencial para gerar filas. Contudo, é preciso manter a fluidez em todos os momentos da estada, e não apenas nas boas-vindas.

Deixar o cliente esperando sempre que ele pedir por auxílio, seja com a solicitação de uma toalha extra, uma informação turística ou, pior ainda, quando algo em seu quarto necessitar de conserto, nunca é uma boa ideia. É fácil confundir essa lentidão com má vontade ou desinteresse, mas a realidade costuma ser bem diferente: é o excesso de burocracia que trava os processos, o acúmulo de tarefas que dificulta a capacidade do profissional atrás do balcão de priorizar as demandas, o receio de tomar uma decisão errada que adiciona obstáculos desnecessários à resolução dos problemas.

É tarefa do gestor identificar onde estão os gargalos para que o empreendimento não comece a empilhar reclamações dos hóspedes e para garantir uma administração hoteleira eficiente de verdade.

5. Erros frequentes em rotinas operacionais

Uma jovem sentada diante de um notebook em um ambiente de escritório, com dois papéis adesivos colados sobre os olhos onde se lê "I'm" ("eu estou") e "Tired"("cansada"). A imagem ilustra o esgotamento profissional e a exaustão que podem comprometer a qualidade do atendimento na recepção do hotel.
Profissionais sobrecarregados e continuamente sob pressão dificilmente conseguirão entregar o melhor atendimento na recepção do hotel | Crédito: Magnific

É difícil sustentar um bom atendimento na recepção do hotel se o recepcionista cometer um erro após o outro. Mentes exaustas e continuamente sob pressão perdem o “filtro” e o rigor dos protocolos. E é aí que moram os prejuízos mais sérios: uma cobrança duplicada no cartão, a troca de nomes na fatura da empresa e até a quebra de sigilo dos dados do hóspede.

Falar o número do quarto em voz alta no balcão lotado ou entregar a chave da acomodação a um terceiro sem confirmar sua identidade são falhas críticas de segurança que tendem a ocorrer quando a equipe está desconcentrada ou quando os treinamentos são insuficientes e superficiais. É imprescindível se certificar que os colaboradores saibam como zelar pela confidencialidade das informações internas, pois pequenos vacilos nesse aspecto podem se tornar problemas jurídicos catastróficos, que destroem a reputação da marca em questão de segundos.

6. Não ser claro na comunicação com o hóspede (principalmente quando envolve dinheiro)

Um mau atendimento rende reclamações dos hóspedes, mas um atendimento que não é claro quanto ao que o hóspede terá de pagar, deixando informações sobre taxas subentendidas ou omitindo detalhes importantes para acelerar e “resumir” a conversa, passa a sensação de desonestidade e rende perda de confiança. E aí é “tchau, tchau, fidelização”.

Isso acontece quando a recepção deixa de avisar que o estacionamento tem um preço à parte, que o pagamento da taxa de turismo é facultativo (o que é comum na maioria dos destinos brasileiros) e que o consumo do frigobar e o uso de determinadas áreas de lazer do complexo possuem custos extras.

Se o cliente descobre essas “surpresas” apenas na hora de ir embora, o checkout coloca a equipe da recepção no meio de um campo de batalha. Cabe ao gestor mapear esses ruídos e garantir total transparência nas cobranças para que esse tipo de situação não manche a imagem do negócio.

7. Turnover e absenteísmo elevados

A imagem ilustra a exaustão emocional na recepção. Uma pessoa com cabelos longos e jaleco branco está com a cabeça apoiada na mesa, escondendo o rosto entre os braços. Sua mão direita está levantada, fazendo um sinal de 'joinha', transmitindo uma ironia de que tudo está bem quando, na verdade, há esgotamento. A mesa está desorganizada com diversos itens como material de escritório, itens médicos e um notebook, refletindo o caos que pode prejudicar o atendimento na recepção do hotel.
Rotatividade alta e excesso na quantidade de faltas por colaborador são sinais de que a administração hoteleira precisa repensar a operação | Crédito: Magnific

O sintoma mais claro de um ambiente de trabalho desgastante e sem perspectivas de melhora é a debandada dos funcionários. Na operação de um meio de hospedagem, o entra e sai constante de pessoal (o chamado turnover) e o excesso de faltas têm um impacto devastador, uma vez que isso significa que o balcão está sempre desfalcado.

Sem uma constância na equipe, o hotel se vê obrigado a colocar na linha de frente profissionais já sobrecarregados ou, então, novos contratados, que ainda não dominam os sistemas e os padrões de atendimento do empreendimento. Dá para imaginar qual é o resultado disso, não é? Processos morosos e uma queda gritante na qualidade do atendimento na recepção do hotel.

Turnover e absenteísmo não são problemas isolados, que dependem única e exclusivamente do RH para serem resolvidos; são números que revelam que a operação está por um fio e que não condizem com a estratégia de um hotel que busca competitividade e diferenciação.

E você, já encontrou um ou mais desses “gargalos” no meio de hospedagem em que você trabalha? Se sim, esse não é um motivo para pânico. Encare isso como o primeiro passo para uma virada operacional. Caso você ocupe uma posição de liderança, olhe para a equipe da recepção, escute o que ela tem a dizer e comece hoje mesmo a colocar as coisas de volta nos trilhos. Depois volte aqui para contar para nós se deu certo, combinado? O espaço de comentários abaixo está esperando pela sua participação!

Bruna Dinardi
Author: Bruna Dinardi