O que o hóspede realmente quer? Acomodações confortáveis, atendimento prestativo e gentil, boa oferta de Alimentos & Bebidas, wi-fi de qualidade, localização privilegiada? Todas essas respostas são válidas — e todas estão corretas. No entanto, a lista vem aumentando a cada ano e, agora, o mercado está confirmando algo que vinha se desenhando há tempos: os hotéis sustentáveis entraram de vez na mira dos viajantes.
Essa “onda” é forte o suficiente para chacoalhar a área de governança corporativa, que se vê pressionada a incorporar a responsabilidade ambiental à administração dos empreendimentos. E não de um jeito superficial, que faça os hotéis parecerem sustentáveis, em vez de serem, efetivamente. Afinal, o consumidor está ficando expert em identificar o que é prática real e o que é puro marketing.
Essa mescla entre universo corporativo e cuidado com a natureza está muito bem amarrada em uma sigla que ganhou notoriedade máxima nos últimos anos: ESG. É verdade que o termo é amplo e não se restringe ao pilar “meio ambiente”, embora o “E” do nome venha justamente da palavra “Environmental”. Mas, se tem uma coisa que o ESG na hotelaria é capaz de provar, é que a aderência a práticas de sustentabilidade é o que ajuda a sustentar o negócio — com o perdão do trocadilho —, garantindo saúde financeira e vida longa às empresas.
Hotéis sustentáveis e a percepção dos viajantes

Um estudo desenvolvido pela Accor, pela Booking.com e pela Universidade de Surrey (Inglaterra), realizado em 2024 e publicado em fevereiro de 2025, trouxe um dado surpreendente: 75% dos participantes alegaram que pretendiam viajar de forma mais sustentável nos próximos 12 meses.
Isso significa, por exemplo, que tem muito mais gente interessada em saber se o hotel tem alguma certificação verde, como Green Key, EarthCheck e LEED, e que esse tipo de informação pode ser decisivo para a concretização (ou não) da reserva. Inclusive, 67% dos entrevistados afirmaram que todas as plataformas e sites de reserva de hotéis deveriam utilizar as mesmas certificações ou selos de sustentabilidade. Tá aí uma preocupação que praticamente não existia poucos anos atrás.
Vender a imagem de que o empreendimento se enquadra como “hotel verde” ou que é adepto do ecoturismo, sem oferecer exemplos que ilustrem isso, não basta. Ou, para sermos ainda mais específicos, não cola mais — o conceito de “greenwashing” (chamado também de “mentira verde”) não se popularizou à toa. O hóspede, hoje, deseja entender o que está sendo feito na prática e saber como ele pode participar desse movimento.
De acordo com a pesquisa, 71% dos participantes declararam que gostariam de voltar para casa sabendo que colaboraram para a melhoria do destino — em 2023 esse índice tinha sido de 66%. Passar uma temporada em um hotel verde também parece trazer consequências positivas duradouras: 67% dos respondentes disseram que o simples fato de testemunharem práticas mais sustentáveis durante a viagem os inspira a replicar esses hábitos no cotidiano.
Case de ESG na hotelaria: vem aí o manual de boas práticas da ABIH-SP

Para que um hotel verde seja percebido como tal, a mudança precisa começar de algum lugar. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo (ABIH-SP) puxou parte dessa responsabilidade para si e está trabalhando na criação de um manual focado no descarte de resíduos, com orientações e insights poderosos para serem colocados em prática. O objetivo é ousado: eliminar o uso de plásticos dos hotéis associados à entidade até o final de 2027.
O material será distribuído exclusivamente aos associados — mais um motivo de por que vale a pena apostar no associativismo — e tem data prevista de lançamento para 15/7/2026, durante a realização do encontro de negócios promovido mensalmente pelo Portal do Hoteleiro e pela ABIH-SP. Nesta edição, o evento será sediado no Pestana São Paulo City Center & Conference Hotel, situado em uma área nobre da capital paulistana, próximo ao Parque do Ibirapuera e da Avenida Paulista.
Sustentabilidade em foco no 3º episódio do Pauta Hoteleira
Enquanto o material não é liberado, o Portal do Hoteleiro decidiu fazer um “esquenta” e conduziu um debate sobre ESG na hotelaria e sobre o próprio manual no terceiro episódio do quadro Pauta Hoteleira — se quiser se lembrar como foi o segundo, é só clicar aqui. O bate-papo foi conduzido por Luiz Henrique de Arruda e Miranda, âncora e gestor do Portal, e contou com Latif Abrão Jr., CEO do Hotel Terras Altas Resort & Convention Center, e José Fernandes, diretor-geral da Rede dos Sonhos Hotéis Fazenda. Marcos Vilas Boas, presidente da ABIH-SP, participou por meio de um vídeo.
Um dos destaques foi uma mensagem gravada por Carlos Bernardo, diretor de Operações e A&B na Accor, que aproveitou a oportunidade para ressaltar como a sustentabilidade tem sido benéfica para a rede e para os hóspedes. Um dos exemplos que ele compartilhou foi a iniciativa “Skip the clean”, que premia o hóspede com pontos extras no programa de fidelidade se ele topar reduzir a frequência da limpeza do quarto e da troca de toalhas e lençóis durante sua estada.
Ao mesmo tempo, outros três profissionais envolvidos na produção do manual marcaram presença com mensagens gravadas: Rossana Viegas, gerente-geral do São Paulo Surf Club; Jeferson Munhoz, CEO da Escola para Resultados; e Lilian Franco, gerente-geral do Mercure Jundiaí Shopping e do Ibis Budget Jundiaí Shopping.
O terceiro episódio do Pauta Hoteleira vai ao ar na primeira semana de junho, então fique de olho no canal do YouTube do Portal do Hoteleiro. O programa é curtinho, dinâmico e recheado de informações úteis. Não perca!









