Até 19 de fevereiro todos os meios de hospedagem do país precisam aderir à Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) digital. A decisão veio do Ministério do Turismo, por meio da Portaria MTur nº 41, e visa extinguir os cadastros em papel, modernizando os processos na hotelaria e tornando o turismo brasileiro mais eficiente e seguro.
Como era de se esperar, tal iniciativa gerou – e ainda vem gerando – dúvidas e muita expectativa nos profissionais do setor. Por isso, com o objetivo de apresentar uma visão geral sobre a nova FNRH e responder às principais perguntas sobre o assunto, o Portal do Hoteleiro realizou um webinar no último dia 5. A ação reuniu representantes do MTur e do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), além de Marcos Vilas Boas, presidente da ABIH-SP, e Luiz Henrique Miranda e Walter Teixeira, responsáveis pela gestão do Portal do Hoteleiro.
Dada a relevância do tema, o evento contou com o apoio da ABIH Nacional e das ABIHs estaduais, sendo prestigiado também por Joarez Moreira Filho, assessor da Secretaria Nacional de Políticas de Turismo.
FNRH digital: o que é, como acessar e por que ela favorece o check-in

A Ficha Nacional de Registro de Hóspedes existe há muito tempo e é obrigatória para todos os empreendimentos hoteleiros do Brasil, uma vez que formaliza a identificação dos hóspedes e é o meio pelo qual os hotéis transmitem dados de hospedagem ao Ministério do Turismo. O que muda agora é que a tradicional ficha física passa a ser substituída por uma versão eletrônica, que promete agilizar o check-in e o checkout – tanto para o hoteleiro quanto para o viajante.
Para começar, a adoção da FNRH digital permitirá que o check-in seja efetuado antecipadamente: o hotel poderá enviar um link de pré-check-in no momento da reserva, de modo que o hóspede preencha seus dados antes mesmo de chegar à recepção. Existe também a possibilidade de o estabelecimento disponibilizar um QR Code no balcão, escaneável pelo celular, assegurando que o registro seja feito simultaneamente mesmo em caso de grandes grupos. Cada um dos hóspedes com mais de 18 anos deve ter sua própria ficha – menores de idade serão cadastrados como dependentes no perfil de um responsável.
Outra novidade é que tudo isso será feito a partir de uma plataforma única e integrada ao portal gov.br. Isso significa que, quando o hóspede utilizar sua conta gov.br para acessar a ficha, o sistema puxará automaticamente os dados pessoais que estão cadastrados na base do governo, preenchendo grande parte das lacunas. Após o primeiro uso, o processo ganha ainda mais velocidade: como os dados já estarão salvos, em hospedagens futuras bastará que o hóspede faça a conferência das informações e clique em “Próximo” para concluir o registro.
Embora o uso da conta gov.br não seja obrigatório para o hóspede, ele é altamente recomendável, sobretudo porque eleva a segurança jurídica do empreendimento e dispensa a assinatura física do cliente. É como se o login no portal do governo confirmasse que a pessoa é quem ela diz ser, diminuindo os riscos de fraude de identidade no balcão.
E se o turista for estrangeiro?
Como criar uma conta no portal gov.br exige inserir o número do CPF, documento que turistas internacionais não têm, o acesso dessas pessoas à FNRH digital será feito por um módulo específico da plataforma. Ao abrir o link ou o QR Code fornecido pelo hotel, o viajante terá de selecionar a opção “Estrangeiro”, podendo escolher o idioma da interface do sistema (português, inglês ou espanhol). Os dados solicitados são ligeiramente diferentes e adequados ao seu perfil, incluindo país de nacionalidade, país de residência e número do passaporte, por exemplo.
O fluxo foi desenhado para ser muito rápido, possibilitando que o preenchimento leve menos de um minuto. Ainda assim, é válido ressaltar que os viajantes que não conseguirem fazer o check-in online, seja por falta de familiaridade com tecnologia ou por qualquer outro motivo, podem se dirigir ao balcão da recepção e solicitar o auxílio da equipe.
Vantagens
Além de reduzir a burocracia e alinhar a hotelaria às transformações digitais que já fazem parte da rotina da maioria dos viajantes, a adesão à FNRH digital traz outras vantagens, tais como:
- custos significativamente menores com papel e armazenamento físico – afinal, sem a digitalização, esses documentos teriam de ser arquivados por um prazo de cinco anos. Dessa forma, a responsabilidade de armazenamento seguro passa a ser da infraestrutura do governo/Serpro;
- garantia de conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Como o sistema foi desenvolvido em parceria com o Serpro, os dados são criptografados, auditáveis e rastreáveis, o que resulta em mais transparência e confiança para hóspedes e hoteleiros;
- ampliação da segurança jurídica com a autenticação de identidade promovida pelo sistema gov.br;
- possibilidade de integração via PMS (Property Management System), com os dados fornecidos pelo hóspede sendo direcionados automaticamente para o software de gestão do hotel. Apesar das facilidades que isso representa à operação, é importante salientar que não é obrigatório ter um PMS para acessar a FNRH digital, conforme explicado aqui;
- relatórios atualizados constantemente acerca do perfil dos hóspedes;
- compartilhamento de dados estratégicos com o Ministério do Turismo em tempo real, gerando estatísticas qualificadas para o planejamento turístico e políticas públicas.
Tire todas as dúvidas: materiais de apoio ao hoteleiro

A FNRH digital surgiu para facilitar e automatizar processos, mas é comum que haja uma fase de adaptação de todo o setor. Por exemplo, fora o cadastro ativo e regular no Cadastur, é necessário que cada hotel informe, no próprio Cadastur, o CPF do profissional que assumirá a gestão da FNRH digital. Inclusive, fazer isso é bastante simples, como você pode conferir neste material.
A fim de sanar as dúvidas mais recorrentes, o portal do Ministério do Turismo ganhou uma seção dedicada exclusivamente à Ficha Nacional de Registro de Hóspedes – clique neste link para acessá-la. O espaço, que se mantém em constante atualização, disponibiliza manuais detalhados e tutoriais passo a passo para a implementação, documentação técnica específica para integração via API (destinada principalmente aos desenvolvedores de PMS) e os normativos legais que fundamentam a nova ficha.
Há também uma área com perguntas e respostas que podem ser muito úteis nesse momento, por refletirem as principais preocupações dos hoteleiros. Entretanto, caso as dúvidas persistam, um e-mail pode ser enviado para fnrhdigital@turismo.gov.br ou um chamado pode ser aberto por meio deste link.
Para ajudar, o webinar foi gravado e pode ser assistido na íntegra. Já o material utilizado na apresentação do MTur está disponível para download em PDF na home do Portal do Hoteleiro.









