Vale a pena terceirizar a manutenção em hotéis? Uma reflexão sobre prós e contras

Diminuir custos. Mitigar riscos. Tirar dos ombros a responsabilidade por intervenções técnicas complexas. Ter garantia de estabilidade e disponibilidade, independentemente da época do ano, imprevistos operacionais, rotatividade de funcionários ou de outros fatores. As vantagens prometidas pela terceirização de serviços são tentadoras para qualquer gestor, sobretudo quando se relacionam a atividades específicas — e críticas —, como a manutenção em hotéis.

Isso quer dizer, então, que a melhor opção é sempre contratar uma empresa do que absorver as demandas internamente? Não, não é bem assim. A terceirização na hotelaria segue aquela lógica do “nem oito, nem 80”: é preciso saber onde traçar a linha para não criar uma dependência cega, em que o empreendimento desaprende a cuidar de si mesmo.

Assim como em praticamente qualquer decisão comercial, optar pelo chamado “outsourcing” traz vantagens e desvantagens. E a nossa missão, hoje, é ajudar você a encontrar o equilíbrio ideal para proteger a operação, blindar o caixa e, principalmente, assegurar que tudo flua às mil maravilhas para o hóspede.

Terceirização da manutenção em hotéis: pontos positivos

  • Inteligência técnica e respiro para o caixa ✅

Um técnico de manutenção com barba, usando uma lanterna de cabeça acesa, trabalha no conserto hidráulico dentro de um gabinete de pia branco. Ele utiliza chaves de boca para ajustar a tubulação, ilustrando a precisão e o detalhismo necessários na manutenção em hotéis para evitar vazamentos e garantir o funcionamento das instalações.
A principal vantagem da terceirização na hotelaria é o fato de ter à disposição profissionais altamente capacitados para lidar com problemas críticos | Crédito: Magnific

Não há como negar que a terceirização traz certo alívio à gestão de manutenção hoteleira. O benefício número um é o acesso imediato a uma mão de obra ultraespecializada, algo que nem sempre cabe na folha de pagamento, ainda mais em tempo integral.

Infraestruturas como chillers (sistema central de climatização), subestações de energia, centrais de água quente e sistemas de automação predial não aceitam amadorismo; exigem engenheiros e técnicos certificados. Dispor da expertise desses profissionais por meio de contratos de manutenção preventiva e para solicitações sob medida é uma decisão que transforma um custo fixo pesado em uma despesa menos impactante no orçamento ­— pelo menos à primeira vista.

Além disso, o hotel elimina a dor de cabeça de contratar, capacitar e gerenciar colaboradores para funções tão específicas ­— vale lembrar da obrigatoriedade de as empresas promoverem treinamentos e reciclagens regulares para a correta aplicação das Normas Regulamentadoras, a exemplo da NR-10 para segurança em instalações elétricas, NR-33 para espaços confinados e NR-35 para trabalho em altura.

  • Acesso à tecnologia de ponta ✅

O ganho com a terceirização na hotelaria se estende também ao estoque, já que o empreendimento não precisa lidar com a compra de ferramentas. Não se engane, não estamos nos referindo a furadeiras ou jogos de chaves de fenda, mas de instrumentos de alta precisão e segurança, que custam caro.

Uma câmera termográfica, utilizada para escanear os quadros elétricos dos andares e encontrar pontos de superaquecimento, custa, sozinha, entre R$ 13 mil e R$ 25 mil, sendo que há opções profissionais de alta sensibilidade que podem passar dos R$ 60 mil — e isso não é algo que possa ser considerado supérfluo, pois evita curtos-circuitos e princípios de incêndio. Já um analisador de qualidade de energia trifásico, essencial para diagnosticar problemas na subestação e picos de energia capazes de queimar elevadores, tem um custo que varia de R$ 30 mil a mais de R$ 110 mil.

Com a terceirização, a gestão de manutenção em hotéis não se vê livre apenas dos gastos para a aquisição desses produtos: ela usufrui da tecnologia sem precisar se preocupar em mantê-la legalmente funcional. Afinal, existe um custo anual para manter esses aparelhos regulados e devidamente calibrados. Em caso de vistoria do Corpo de Bombeiros ou de acidente de trabalho, os empreendimentos devem apresentar os certificados de calibração de todos os instrumentos. Sem esse “selo” de qualidade, o hotel corre o risco de pagar multas pesadas e até de perder seu alvará, sabia?

Terceirização da manutenção em hotéis: pontos negativos

  • Dependência extrema, perda de agilidade e apagão operacional ⚠️

Sentado no chão de um banheiro, um profissional de manutenção em hotéis, vestindo uniforme azul escuro, consulta o celular enquanto segura uma ferramenta. À sua frente, sob a bancada da pia, está uma caixa de ferramentas aberta com tampa vermelha. A cena demonstra o uso da tecnologia e de sistemas de gestão para auxiliar a equipe operacional em reparos hidráulicos e preventivos nas unidades habitacionais.
Apesar do apoio de fornecedores externos, é fundamental que o hotel tenha uma equipe de manutenção in loco, preparada para resolver problemas corriqueiros em um curto espaço de tempo | Crédito: Magnific

Não há nada de errado em recorrer à terceirização na hotelaria para desafogar a equipe de manutenção. O grande desafio aqui é não se apoiar nos fornecedores externos por pura e simples comodidade, acionando-os sem critério algum: para trocar uma lâmpada queimada, destravar uma fechadura eletrônica, consertar uma torneira que está pingando, limpar o filtro do ar-condicionado.

Problemas corriqueiros devem ficar sob a responsabilidade da equipe interna por uma razão simples de ser: agilidade. O tempo que a empresa leva para deslocar um técnico até o local é o tempo que o hóspede passa colecionando frustrações. É inviável depender do cronograma de terceiros para resolver até os menores contratempos. Quanto mais rápida for a solução, melhor.

  • Cobrança de taxas emergenciais e o impacto na experiência do hóspede ⚠️

Um casal de hóspedes aparece visivelmente cansado e frustrado, sentado em poltronas verdes no lobby de um hotel, enquanto aguarda com suas malas. A cena ilustra as consequências negativas de uma falha na manutenção em hotéis, como a indisponibilidade de quartos, impactando diretamente a experiência do cliente e a imagem do estabelecimento.
Sem uma boa gestão, terceirizar o serviço de manutenção em hotéis pode ter impacto negativo na experiência dos hóspedes, sobretudo em função da burocratização de processos, que pode desacelerar o atendimento | Crédito: Magnific

Há, ainda, outro ponto que pesa a favor do time da casa. Fornecedores externos são guiados por contratos rígidos e geralmente operam em horário comercial. Se uma tubulação rompe em um sábado à noite ou na véspera de Natal, o hotel esbarra na burocracia dos plantões.

Além da morosidade do processo, existe um agravante: o custo. Contratar serviços por escopo fechado significa que qualquer intervenção não prevista no acordo será cobrada como hora extra técnica — e não é segredo algum que, quando o fator “urgência” entra na equação, isso encarece significativamente o atendimento.

Fora do espectro financeiro, é necessário ressaltar mais um aspecto: prestadores de serviço não são como os colaboradores, guiados pela cultura da empresa. A prioridade deles é terminar o serviço e ir para o próximo cliente. Portanto, eles podem não se atentar para a importância de não circular por áreas sociais com o uniforme sujo, fazer silêncio perto das acomodações e executar suas atividades com o máximo de discrição, por exemplo. Esses detalhes, apesar de sutis, são captados instantaneamente pelo hóspede. E você já sabe, né? Tudo conta para ele, para o bem ou para o mal.

Por isso, antes de fechar o próximo contrato de manutenção ou de cortar uma vaga interna, faça as seguintes perguntas: essa escolha realmente traz mais fôlego para o caixa no longo prazo? O prestador contratado vai cuidar da experiência do cliente com o mesmo zelo que um funcionário do hotel? A busca pelo equilíbrio não precisa e nem deve anular o parceiro externo; seu intuito é certificar que a terceirização na hotelaria seja utilizada como ferramenta estratégica de suporte, nunca como muleta.

O que você acha disso, hein? Concorda com a gente? Queremos saber a sua opinião!

Bruna Dinardi
Author: Bruna Dinardi