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Luz, câmera e… debate: quadro “Pauta Hoteleira” aborda a polêmica FNRH digital em seu episódio de estreia

Tá sabendo da novidade? Agora você tem mais um motivo para se inscrever no nosso canal do YouTube: o Portal do Hoteleiro acaba de lançar o quadro “Pauta Hoteleira ABIH-SP”, um espaço dedicado ao debate de temas de alta relevância para a hotelaria. Mais do que informar, o objetivo é estimular a reflexão e propor uma leitura de cenário diante das decisões que moldam o setor.

O primeiro episódio, que foi ao ar no último dia 14/4, ilustra com maestria esse propósito: repercutiu a obrigatoriedade da implantação da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) eletrônica, em vigor desde 20/4. O tema não é exatamente novo – o trade já estava sabendo dessa mudança desde o final de 2025, por meio da Portaria MTur nº 41 –, mas vem gerando polêmica desde então, deixando os hoteleiros inseguros quanto à adesão e com diversas dúvidas. Inclusive, temos um post supercompleto com tudo o que você precisa saber sobre a FNRH digital, viu?

No formato de videocast, o programa promete estar sempre muito bem acompanhado. Em sua estreia, nomes de peso estiveram à mesa do Estúdio Terras Altas: Marcos Vilas Boas, presidente da ABIH-SP, e os vice-presidentes da entidade, Gustavo Jarussi e Latif Abrão Jr. Vale destacar que Latif também é patrocinador do Portal do Hoteleiro e CEO do Hotel Terras Altas Resort & Convention Center, onde foi gravado o episódio.

Melhores momentos do 1º episódio da série “Pauta Hoteleira”

Fotografia em close do balcão de uma recepção de hotel. Uma pessoa com terno azul estende a mão para tocar uma sineta de metal dourado sobre o balcão de mármore. Sobreposta à imagem, há a inscrição "FNRH – Ficha Nacional de Registro de Hóspedes". No rodapé, os logotipos do Ministério do Turismo e do Governo Federal do Brasil.
O episódio de estreia girou em torno da implementação da FNRH digital, obrigatória em todos os meios de hospedagem do país desde o último dia 20 de abril | Crédito: Reprodução/Ministério do Turismo

Sob o comando do jornalista Luiz Henrique Miranda, âncora do Portal do Hoteleiro e gestor de conteúdo da plataforma, o bate-papo entre os dirigentes da ABIH-SP girou em torno da visão pessoal de cada um sobre os prós e contras da FNRH digital, que nasceu para agilizar o check-in e o checkout, modernizar processos e gerar estatísticas em tempo real para parametrizar o desenvolvimento sustentável do turismo no Brasil.

Gov.br e Cadastur: gargalos?

Para Vilas Boas, esse primeiro momento é de apreensão, a começar pelo acesso por meio de login na conta gov.br. “Se o hóspede não quiser acessar o gov.br, como a gente faz? Quero dizer, você [o hoteleiro] tem informações básicas, como CPF e nome, e a partir daí pode preencher [para o cliente], mas é um trabalho adicional”, disse, durante sua participação no episódio piloto da Pauta Hoteleira.

Outra preocupação que ele manifestou foi em relação ao Cadastur, já que o cadastro ativo e regular no sistema é pré-requisito para o acesso à nova FNRH. “Surpreendentemente nós encontramos uma quantidade grande de hotéis que não têm Cadastur, não renovam seu Cadastur. […] E você tem que qualificar uma pessoa, dentro do Cadastur, para ser a responsável por essas informações [da FNRH]. […] A recomendação é que não seja o proprietário ou o gestor [do hotel], mas alguém da recepção ou um gerente. Isso cria um novo problema, porque essas pessoas eventualmente têm um ciclo que acabam cumprindo dentro da empresa, e aí você vai ter que recadastrar”, ponderou.

Desafios para os pequenos hoteleiros

Latif Abrão Jr. vê a digitalização com bons olhos, embora tenha suas ressalvas. “Vamos pensar nos hoteleiros menores, como eu. […] O sistema pode ficar invalidado pelo não uso, que é um dos aspectos de resistência à mudança que existe nesses momentos de introdução de tecnologia. Cabe aí um papel importante para a ABIH no sentido de treinar […] e obter um prazo mais alongado para essa implantação, porque nem toda mudança tecnológica é da noite para o dia. A decisão é da noite para o dia, com portaria número tal, lei número tal”.

Gustavo Jarussi concordou que é preciso oferecer apoio aos pequenos empresários e lembrou que, no Brasil, só 20% dos meios de hospedagem pertencem às grandes redes. Isso significa que tem muito hotel por aí sem PMS (Property Management System) – o que inviabiliza a integração da FNRH via API, que permitiria que os dados fornecidos pelos hóspedes fossem direcionados automaticamente para o software de gestão do hotel, tornando o fluxo operacional muito mais dinâmico.

Em outras palavras, a maioria esmagadora dos hoteleiros vai depender totalmente da plataforma do governo. “Esses 80% têm que ser muito bem amparados, porque 80% da base vai tentar acessar [o sistema do gov.br] ao mesmo tempo para fazer esse trabalho”, comentou o vice-presidente.

Por outro lado, ele celebrou a iniciativa do ponto de vista da evolução tecnológica. “Hoje em dia tudo é digital. A FNRH é um dos itens mais antigos dentro da hotelaria. […] Vai agilizar processo, vai diminuir espaço de armazenamento de informação e vai melhorar o BI para que a gente possa entender qual é a movimentação, principalmente do hóspede estrangeiro, dentro das nossas unidades hoteleiras”, pontuou.

Assista na íntegra (e veja o que vem por aí em maio)

Uma foto em plano superior de uma mesa de escritório organizada, com um notebook, um caderno aberto e, no centro, um calendário amarelo vibrante mostrando o mês de maio. O calendário está destacado e rodeado por itens como uma caneta, óculos de grau, um despertador, fones de ouvido e uma pequena planta.
Anote na agenda: o próximo bate-papo será disponibilizado no dia 6/5, no canal do YouTube do Portal do Hoteleiro, e abordará a redução da jornada de trabalho na hotelaria e o possível pagamento de adicional de insalubridade à equipe de camareiras | Crédito: Freepik

Deu para perceber que o intuito do quadro “Pauta Hoteleira” é oferecer uma visão crítica (e analítica) de assuntos que estão em destaque no setor, né? Apesar de a FNRH digital ter suas vantagens – entre elas, destaque para os custos significativamente menores com papel e armazenamento físico de documentos e garantia de conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) –, é necessário considerar também os impactos negativos para os hoteleiros, sobretudo no curto prazo.

Se você atua na hotelaria, definitivamente vale a pena conferir essa conversa na íntegra. O conteúdo levanta pontos importantes e é apresentado de um jeito descontraído, além de não ser muito extenso. Clique aqui e assista agora!

Com periodicidade mensal, a ideia é que a liberação dos episódios coincida com a realização dos encontros de negócios promovidos pelo Portal do Hoteleiro. O próximo, portanto, já tem data para sair: 6/5. Podemos garantir de antemão que você não vai se decepcionar com os temas: redução da jornada de trabalho na hotelaria e possibilidade de pagamento de adicional de insalubridade às camareiras.

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Bruna Dinardi
Author: Bruna Dinardi