Na pressa de renovar ou padronizar a imagem do empreendimento, a escolha dos uniformes para a hotelaria geralmente se detém na questão estética, priorizando tecidos bonitos, caimento elegante ou cores que reflitam a identidade da marca. Tudo muito válido, é claro. Mas quem vive a rotina nos bastidores sabe que essa é uma decisão que não impacta só a aparência: interfere no conforto, na produtividade e até no humor da equipe.
Diante de tamanha importância, é de se estranhar que muitas vezes essas peças sejam escolhidas sem antes rolar uma consulta com as pessoas que vão utilizá-las todos os dias. Ignorar essa etapa pode culminar na compra de peças pouco práticas, que esquentam demais, limitam os movimentos ou cujos tecidos dificultem a transpiração – peculiaridades que só quem está na linha de frente é capaz de apontar.
Nunca tinha parado para pensar nisso? Pois isso pode estar acontecendo neste exato momento por aí, a menos que o processo de aquisição seja guiado por critérios claros, que façam sentido na teoria e na prática. Vamos conhecer alguns deles agora?
5 critérios para a definição e a compra de uniformes para a hotelaria
1. Tecidos que respiram e resistem

Pode-se dizer que acertar no tecido já é metade do caminho para assegurar o bem-estar dos colaboradores. Para cozinheiros e equipes que lidam com altas temperaturas diariamente, não dá para abrir mão de tecidos leves e respiráveis. Consegue imaginar o time da cozinha, que se vê entre panelas e fogões, usando roupas pesadas de lã? Não dá, né? É preciso que o dólmã – a tradicional vestimenta de cozinheiros e chefs – não seja suscetível a manchas, não retenha tanto calor e seja confortável de se usar por longas horas.
Já em setores de contato direto com o hóspede, como a recepção, é fundamental que haja um equilíbrio entre versatilidade, conforto e sofisticação. Melhor ainda se for um tecido que não amasse com facilidade, pois isso ajuda a manter a apresentação impecável durante o turno.
Independentemente do tipo de trabalho desempenhado, durabilidade e resistência são outros dois quesitos indispensáveis quando se fala em uniformes para a hotelaria. Afinal, as peças serão lavadas com frequência e muitas vezes por meio de processos industriais, daí a necessidade de não sucumbirem facilmente a atritos, calor e produtos de limpeza. Se secarem rápido, esse é um bônus e tanto.
2. Nada de restringir o movimento
Arrumar camas, servir bandejas, carregar malas, limpar ambientes: cada função exercida em um meio de hospedagem vem com a sua dose de movimentos específicos. Isso significa que faz mais sentido prezar pela mobilidade do que pela boa apresentação? Não exatamente, porque dá para ter as duas coisas. No entanto, se a galera responsável pela aquisição de uniformes em hotéis não souber compreender e nem honrar essa dinâmica, não tem como o resultado ser satisfatório.
Aqui, atenção também à distinção entre uniformes masculinos e femininos. Mais do que impactar no caimento, oferecer variedade de tamanhos e gêneros é uma maneira de demonstrar respeito e inclusão. Peças muito curtas ou demasiadamente justas podem deixar os funcionários constrangidos – seja perante os clientes, seja perante a própria equipe interna – e influenciar sua performance.
3. O conforto térmico importa – e muito!

Um único hotel, várias temperaturas e ambientes: o garçom que atravessa áreas internas e externas diversas vezes por dia; o funcionário da lavanderia cercado por calor e vapor; a recepcionista obrigada a encarar o ar-condicionado forte; o atendente do bar da piscina constantemente exposto ao clima… Uma das derrapadas mais desastrosas referentes à escolha de uniformes para a hotelaria é não levar em conta o conforto térmico.
De modo geral, a recomendação é investir em tecidos tecnológicos, capazes de absorver o calor, além de dispor de peças com sobreposição, como coletes e blazers, que mantêm o profissionalismo e a padronização e adaptam o vestuário à realidade de cada ambiente. Se possível, a dica é ter uniformes diferentes para épocas do ano diferentes – essa decisão simples salva os colaboradores sempre que os termômetros subirem ou despencarem de uma hora para outra.
4. Praticidade: vestir, lavar, repetir
Peças cheias de botões e complicadas de vestir, tecidos que desbotam rápido e roupas que levam horas até ficarem secas são exemplos de características que travam o cotidiano. Lembre-se: os melhores uniformes para a hotelaria são aqueles que apresentam fácil lavagem (ou seja, não requerem processos delicados e/ou manutenção especial), não encolhem, não demandam a presença constante do ferro de passar e suportam bem o uso intenso. Zíperes no lugar de botões também costumam ser bem-vindos!
Ao mesmo tempo, compartimentos e bolsos estratégicos são ótimos aliados, sendo perfeitos para guardar bloquinhos, chaves, rádios, canetas e quaisquer outros itens que agilizem o atendimento ao cliente. Às vezes até existe um bolso ou outro, mas eles são pequenos ou rasos demais, por exemplo, o que limita sua utilização. A princípio, essa pode parecer uma peculiaridade irrelevante, mas é justamente neste tipo de detalhe que a praticidade (ou a falta dela) aparece de verdade.
5. Leve em consideração o que a equipe faz

A compra de uniformes não deve ser realizada pensando no gestor ou no fornecedor, mas, sim, no que se enquadra melhor às necessidades da equipe. O time certamente tem as vantagens e desvantagens na ponta da língua: mangas que atrapalham ao servir, tecidos que pinicam, excesso de botões, adoção de um mesmo tamanho e modelo para homens e mulheres.
Dar voz aos colaboradores antes de definir qualquer coisa, sobretudo quando se trata de literalmente vestir a camisa da empresa, não é preciosismo: é uma forma de respeitar e valorizar seu trabalho e de apostar em soluções que realmente funcionam.
Agora queremos saber da sua experiência: você já passou por alguma situação em que o uniforme atrapalhou ou facilitou seu dia a dia? Deixe um comentário! Assim você não apenas complementa nosso conteúdo, como compartilha insights que podem ser úteis para o setor como um todo. Por outro lado, se você for gestor, nossa sugestão é que você compartilhe este texto com o departamento de Compras e troque uma ideia sobre boas práticas envolvendo a aquisição de uniformes em hotéis.
Gostou deste conteúdo? Saiba que tem muito mais na área restrita do Portal do Hoteleiro! Torne-se um assinante e ganhe acesso VIP a materiais exclusivos para se diferenciar no mercado.