Cerca de 35 milhões de toneladas de resíduos sólidos são geradas anualmente ao redor do globo, cenário que coloca o mundo inteiro em estado de alerta. No universo da hospitalidade, por exemplo, cada hóspede é responsável pela produção média de 1,67 kg de resíduos por dia, o que, inevitavelmente, leva à pergunta: o que fazer com tanto lixo? Em nome da sustentabilidade e do bem-estar do planeta, a solução não deve se limitar à destinação dos resíduos: a quantidade precisa cair. E é nesse ponto exato que a redução de plástico em hotéis cumpre um papel essencial.
Implementar uma correta gestão de resíduos na hotelaria tornou-se muito mais do que um mero diferencial ecológico. Essa é uma necessidade urgente para garantir eficiência financeira — afinal, quanto mais lixo é gerado, mais cara é a conta atrelada a ele — e alinhamento às exigências do mercado e do consumidor.
Para enfrentar essa realidade, a ABIH-SP propôs uma meta ousada: eliminar ao máximo os plásticos descartáveis de uso único nos hotéis associados até o final de 2027. Um prazo próximo, sim, mas possível com os direcionamentos que constam no manual de boas práticas preparado pela associação, cujo conteúdo está sendo disponibilizado aos poucos aqui no Portal do Hoteleiro.
Como mudanças em A&B auxiliam na redução de plástico em hotéis

Para os hotéis que buscam se posicionar na vanguarda das práticas ambientais, o setor de Alimentos & Bebidas é o ponto de partida ideal, já que a cozinha e suas áreas correlacionadas são grandes consumidoras de plásticos descartáveis. Promover a sustentabilidade em A&B envolve auditar minuciosamente os processos operacionais — até porque muita coisa acaba passando “despercebida” —, mas a transição para uma era plástico zero é perfeitamente viável por meio de substituições estratégicas.
Uma das grandes vilãs é a garrafa PET de uso único. Embora largamente presentes no cotidiano — a exemplo de cortesias nos quartos e abastecimento de frigobares —, apenas 8% delas são recicladas ou reaproveitadas, o que significa que há um volume astronômico sendo direcionado erroneamente para aterros sanitários. Como esse material leva mais de 400 anos para se decompor, seu impacto para o meio ambiente é devastador. Segundo o manual da ABIH-SP, mesmo as garrafas feitas com material biodegradável geram microplásticos, os quais, atualmente, respondem por cerca de 20% da poluição plástica na natureza.
De modo geral, a redução de plástico em hotéis é um passo natural, mas envolve “atualizar” toda uma cultura organizacional e lidar com uma série de mudanças, sobretudo de mentalidade. No espectro de A&B, até os menores detalhes contam quando o assunto é sustentabilidade — inclusive aqueles que parecem pequenos demais para fazer alguma diferença. Para ilustrar melhor, aqui vão algumas ações recomendadas pela ABIH-SP.
- O fim do PET: substituir garrafas PET por garrafas reutilizáveis (a serem higienizadas apropriadamente nas dependências do hotel) e apostar em bebedouros ou filtros de água. Além disso, é altamente indicado adotar garrafas de vidro retornáveis ao distribuidor/fornecedor e, quando o consumo for em trânsito ou em locais sem água potável, recorrer a latas de alumínio ou a embalagens de tetrapak para uso único.
- Insumos e condimentos: é hora de dizer adeus aos sachês individuais de ketchup, mostarda e maionese. Eles devem ser trocados por embalagens de tamanho familiar ou servidos de forma fracionada em ramequins (recipientes pequenos, próprios para servir porções únicas) de papel ou porcelana. O mesmo vale para embalagens individuais de manteiga, geleia, mel e cream cheese, que devem ser adquiridas a granel (embalagens acima de 300g).
- Iogurtes e refrigerantes: fazer a troca dos copinhos individuais de iogurte por embalagens de litro com a devida identificação do fornecedor. Para refrigerantes, o recomendado é priorizar as latas de alumínio — no Brasil, 98% do alumínio é reciclado, iniciativa que não apenas é benéfica para o meio ambiente, como gera renda direta para os catadores. Dica extra relacionada às bebidas: abandonar os canudos plásticos e aderir às versões em papel.
- Cozinha: o filme plástico de PVC, amplamente usado para cobrir alimentos, pode ser integralmente substituído por papel-manteiga em assadeiras. Já para armazenar e vedar alimentos, o melhor caminho é utilizar recipientes com tampas herméticas (tipo tupperware). Outro ponto diz respeito às embalagens de delivery, que devem migrar do plástico para caixas de papelão.
O caminho rumo ao plástico zero

Adotar um modelo de plástico zero em um meio de hospedagem exige um planejamento estruturado. O manual da ABIH-SP detalha que o sucesso dessa implementação depende de três pilares fundamentais.
- Diagnóstico operacional: mapeamento completo da situação atual do empreendimento, que favoreça a criação de um plano de ação junto às equipes.
- Engajamento e treinamento: realização de treinamentos lúdicos para conscientizar e, acima de tudo, engajar os colaboradores no propósito, reiterando a importância de todos participarem e abraçarem a causa.
- Comunicação de valor: comunicação transparente com investidores, clientes e parceiros sobre as ações desenvolvidas. Isso atrai novos negócios, melhora a reputação da marca e reduz custos diretos, demonstrando que “lixo é dinheiro”.
Profissionalize a gestão de resíduos: checklist exclusivo para você
Alcançar a sustentabilidade em A&B é uma virada de chave que não acontece de uma hora para a outra. Porém, essa transição não precisa ser complicada. O manual da ABIH-SP traz uma ferramenta indispensável para os gestores: o “checklist plástico zero”, que permite acompanhar o progresso em nível operacional e assegurar que o hotel esteja livre de plásticos de uso único voltados para os hóspedes, abrangendo desde o salão do restaurante até áreas comuns e governança.
Você deseja ver essa transformação acontecendo aí no empreendimento em que você atua? Então clique aqui para acessar gratuitamente o primeiro capítulo do manual de boas práticas e dê uma olhada no checklist. A divulgação dos demais capítulos — serão oito no total — está sendo feita a partir de publicações bimestrais no Portal do Hoteleiro.











