Com a aquisição de insumos representando em média entre 15% e 30% das despesas operacionais totais (OPEX) de um meio de hospedagem — atrás apenas da folha de pagamento —, é natural que a atuação do setor de Compras em hotéis impacte diretamente a rentabilidade do negócio.
O trabalho é árduo. É preciso equilibrar a contenção de custos demandada pelo financeiro com as necessidades diárias da propriedade e o padrão de qualidade prometido ao hóspede. Falhas nesse alinhamento cascateiam por toda a operação e abrem buracos na prestação de serviço: causam desabastecimento na cozinha, problemas com a distribuição de amenities nos apartamentos e atrasos envolvendo o enxoval e por aí vai.
Um dos pontos mais sensíveis desse processo reside na negociação com fornecedores na hotelaria. A dificuldade começa na própria seleção de parceiros: filtrar fornecedores com boa reputação no mercado, práticas consistentes de ESG e alinhamento aos valores do empreendimento é uma tarefa que pede tempo e rigor analítico. Sem critérios bem definidos nessa etapa, o hotel assume uma série de vulnerabilidades — seja pela dependência excessiva de poucos distribuidores, seja por escolhas pautadas unicamente pelo menor preço. A ausência de estratégia não costuma vir sem consequências, como o descumprimento dos prazos combinados, o repasse de fretes e custos não previstos e o envio de insumos fora da especificação técnica.
Inteligência de dados e decisões em conjunto transformam o setor de Compras em hotéis
As análises do Portal do Hoteleiro sobre o setor mostram que comprar bem vai muito além de pechinchar preço. Implica evitar o abismo dos pedidos de última hora — que corroem o caixa e tiram toda a previsibilidade da operação —, calcular adequadamente a quantidade e, ao mesmo tempo, responder às novas tendências do mercado, como aderir à logística reversa e efetuar o descarte correto de materiais.
Inclusive, uma das nossas reportagens mais recentes — Exemplos de práticas de sustentabilidade em hotéis: Compras no centro da estratégia ESG — estimula a reflexão sobre a influência cada vez maior do departamento no que se refere a fluxo de caixa e à valorização da imagem do empreendimento perante os stakeholders, sobretudo quando se fala na adoção de iniciativas ambientais responsáveis.
O cenário macroeconômico reforça o papel decisivo do setor de Compras em hotéis. Crises sanitárias, conflitos internacionais e picos inflacionários mostraram — e seguem mostrando — que a instabilidade do mercado veio para ficar. Por isso, o risco de desabastecimento e o aumento no preço dos insumos exigem que a tomada de decisão seja cada vez mais guiada por dados. É nesse contexto que o uso de Big Data nas compras hoteleiras se consolida como aliado indispensável para projetar oscilações de oferta, identificar padrões de consumo e negociar contratos com respaldo técnico.
No entanto, é sempre válido pontuar que os indicadores não funcionam isoladamente: a eficiência da gestão de compras depende também da existência de um diálogo constante com quem está na ponta, já que são os profissionais que utilizam os materiais no dia a dia que sabem o que funciona ou não. Dessa forma, faz sentido investigar quais são os desafios da operação no momento de escolher os uniformes ou os produtos de limpeza, por exemplo.
O que impede a gestão de compras de crescer?
Com o objetivo de compreender melhor o setor e os desafios enfrentados pelos hotéis na gestão de compras, o Portal do Hoteleiro gostaria de convidar você, que está lendo este texto agora, a responder nos comentários: quais são, atualmente, as maiores complexidades enfrentadas por Compras? É a ausência de sinergia entre as áreas, a pressão da diretoria por priorizar o menor preço, o processo de negociação com fornecedores?
Vamos dedicar as nossas próximas matérias a responder justamente a essas questões, então participe do debate!









