Turnover cresce em 2025: o que não está dando certo no RH na hotelaria?

A conversa sobre RH na hotelaria costuma ser recheada de jargões corporativos bonitos: “cultura de pertencimento”, “gestão humanizada”, “visão de dono”. No entanto, ao olhar para a rotina de setores como recepção, governança e Alimentos & Bebidas, o que se vê geralmente são funcionários sobrecarregados, pressão constante e horários de trabalho apertados.

Embora a pauta de gestão de pessoas em hotéis esteja em evidência há algum tempo — nós mesmos já abordamos esse tema em várias matérias por aqui —, a rotatividade elevada e a escassez de mão de obra ainda são desafios a serem vencidos. De acordo com um levantamento realizado pela Comissão dos Administradores de Pessoal da Indústria Hoteleira (CAPIH), em 2025 o turnover na hotelaria ficou em 52,45%, um índice muito superior aos 30% que haviam sido registrados em 2017.

Esses dados mostram que a distância entre o discurso e a prática continua sendo um obstáculo grave nos empreendimentos. A retenção de talentos e, por consequência, a construção de um bom clima organizacional não dependem de narrativa, mas, sim, de equilíbrio entre a exigência do serviço e as condições oferecidas a quem está na linha de frente. Se o ir e vir de colaboradores está alto demais, esse é um sintoma de que o modelo operacional precisa ser revisto ­— para o bem e para a sustentabilidade do negócio.

Turnover na hotelaria: motivos e impactos

O gargalo da mão de obra não é um problema só para o departamento de RH na hotelaria. O caixa também sente: as rescisões contínuas, os processos seletivos sem fim e os treinamentos constantes para os recém-chegados geram despesas consideráveis. Além disso, a movimentação nos bastidores inevitavelmente chega até o hóspede, comprometendo a consistência do atendimento e a prestação de serviço de modo geral.

Para entender por que a retenção falha, é preciso olhar para a engrenagem do empreendimento. Ao longo das pautas e análises disponíveis no Portal do Hoteleiro, alguns fatores operacionais despontam como catalisadores do baixo engajamento das equipes:

  • falhas na condução dos processos seletivos, com descrições de vagas genéricas, avaliação ineficiente dos candidatos e desconexão entre o perfil do contratado e o perfil do próprio hotel;
  • planos de carreira engessados, que levam a uma única direção, sem oferecer alternativas para os funcionários que não têm interesse em cargos de liderança — a ascensão da chamada “quiet ambition”;
  • falta de diversidade no quadro de colaboradores, motivada por recrutamentos pouco ou nada inclusivos e por uma cultura que não defende e/ou não acredita no poder da equidade;
  • clima organizacional ruim, com má distribuição de escalas e turnos de trabalho, inexistência de ações focadas no bem-estar físico e mental dos funcionários e fornecimento de benefícios corporativos incompatíveis ou insuficientes;
  • gestores despreparados para assumir equipes, que não reconhecem ou valorizam as entregas do time, criam ambientes pouco acolhedores e “inspiram” pelo medo;
  • treinamentos superficiais, espaçados e pouco produtivos, que não focam nem na capacidade técnica, nem no desenvolvimento de habilidades comportamentais.

A palavra é sua: o que precisa mudar no RH na hotelaria?

O Portal do Hoteleiro não tem a pretensão de ditar regras, mas de se aprofundar no setor e compreender melhor onde estão os desafios e as oportunidades na gestão de pessoas em hotéis.

Sendo assim, gostaríamos de abrir o microfone para você. Qual você acha que é o caminho para manter a equipe unida e reduzir os índices de turnover na hotelaria? A dificuldade maior está na rigidez das escalas, na qualificação das lideranças, na pressão por resultados ou em atrair profissionais de excelência para dentro de casa?

Deixe um comentário com a sua resposta! Se você atua na indústria hoteleira, seu ponto de vista é especialmente importante para nós: vamos nos guiar pelo seu feedback para definir os temas das próximas matérias a serem publicadas. Participe!

Bruna Dinardi
Author: Bruna Dinardi