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Como atrair hóspedes: 6 insights sobre o novo comportamento do viajante

Pouco tempo atrás publicamos um texto que levantou uma dúvida importante: atualmente os hotéis estão investindo em recursos tecnológicos porque isso de fato ajuda a operação ou porque pega bem para a marca? Todo mundo sabe que o objetivo de quem atua na hotelaria é um só: descobrir como atrair hóspedes — e fazer isso da melhor forma possível, mantendo um fluxo constante ao longo do ano. O grau de modernização do empreendimento é um diferencial válido, mas sabe o que é ainda mais promissor? Entender o que o hóspede procura, quais são as suas motivações e por que faz sentido para ele ficar no hotel X e não no Y.

Com certeza você já foi impactado por algumas (ou várias) reportagens que abordam as mudanças no comportamento do consumidor. E não faltam motivos para acreditar que ele está mesmo mudado. Inclusive, o departamento de Reservas provavelmente consegue confirmar isso em primeira mão, já que a área reflete muito bem esse perfil do novo viajante, se transformando junto com as suas decisões e os seus hábitos.

Quer descobrir como atrair hóspedes? Fique de olho nestas 6 tendências de comportamento

1. A galera não só quer viajar, como já está viajando mais — e pelo Brasil

Fotografia de um mapa da América do Sul com foco no Brasil. Um marcador amarelo em formato de bandeira está fincado sobre o mapa, simbolizando a escolha de um destino. Ao fundo, letras coloridas aparecem desfocadas. A imagem ilustra o planejamento de viagens nacionais e o desafio de como atrair hóspedes para destinos brasileiros.
Conforme dados divulgados no estudo “O viajante brasileiro”, conduzido pela Globo em 2025, a preferência da maioria das pessoas, no momento, é por destinos nacionais, com o custo mais baixo sendo o principal motivador | Crédito: Pexels

Um dos estudos mais completos e mais recentes que encontramos sobre tais mudanças foi “O viajante brasileiro”, que corresponde a uma pesquisa exclusiva da Globo, a maior empresa de comunicação da América Latina. Para o projeto, foram entrevistadas mil pessoas entre maio e junho do ano passado (homens e mulheres brasileiros com mais de 18 anos) a fim de mapear seus hábitos e comportamentos de viagem.

O levantamento deixou um ponto muito claro desde o início: viajar está no topo da lista de desejos, com 96% dos participantes afirmando que pretendiam fazer uma viagem em breve (mais especificamente, em algum momento dos 12 meses seguintes à pesquisa) e 56% alegando viajar pelo menos uma vez por ano.

E eis uma ótima notícia para os hoteleiros que estão nos lendo agora: a prioridade de 80% dos respondentes é ir para algum destino brasileiro, sobretudo por considerarem mais simples organizar uma viagem nacional (opinião de 76% dos entrevistados), pela facilidade de acesso e menor tempo de deslocamento (74%) e pelos custos mais baixos (45%).

2. Viajar por menos tempo, só que mais vezes

Ainda tem gente interessada em passar um tempão fora de casa, curtindo viagens de mais de 20 ou 30 dias, mas esse não é o desejo (ou pelo menos a realidade) da maioria das pessoas. De acordo com o estudo, a preferência nacional é por viagens de quatro a sete dias (37%) e de até três dias (21%).

Essa tendência também apareceu em uma pesquisa recente da Booking.com, que sinalizou que 62% dos brasileiros gostariam de fazer mais viagens de finais de semana em 2026. Esse número traz uma percepção especialmente positiva para a hotelaria, pois dá margem para acreditar que o mercado deve se manter aquecido em vários momentos, e não apenas nos períodos tradicionais de férias ou durante o Natal e o Réveillon.

Logo, se o seu desafio, hoje, é encontrar soluções de como atrair hóspedes e movimentar o caixa o ano todo, o pote de ouro pode estar na formatação de ofertas sob medida para estadas de curta duração. Caso você ainda não faça isso, aqui vai uma dica que pode ser útil: criar pacotes para escapadas de sexta a domingo com benefícios inclusos, como early check-in ou um jantar cortesia, e promover campanhas direcionadas (via e-mail marketing, por exemplo) a quem já mora na região, uma vez que esse público pode viajar de carro e chegar ao hotel sem ter de encarar grandes distâncias.

3. O verão e a praia são os sonhos de consumo da maioria

Fotografia aérea da orla de uma praia movimentada. A imagem mostra o contraste entre o azul intenso do mar, a areia clara repleta de guarda-sóis coloridos e o calçadão com desenhos ondulados em preto e branco, ladeado por coqueiros. O cenário ilustra a alta temporada e a preferência dos viajantes por destinos de verão.
Destinos de sol e praia estão entre as tendências do turismo, e o verão se destacou como a época do ano mais propícia para viagens. Na foto, vista aérea da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ) | Crédito: Magnific

Parece não haver dúvidas sobre a época do ano favorita para viagens: o verão, escolhido por 63% das pessoas que participaram da pesquisa da Globo. A consequência disso é cristalina como o mar: destinos de praia seguem como os mais desejados (46%). No entanto, como nem todo mundo consegue programar as férias para a alta temporada de calor, três outros momentos despontam como boas opções para viagens: feriados prolongados, férias de trabalho e durante o inverno.

Para os hotéis, essas “janelas” são excelentes porque permitem que o empreendimento explore narrativas distintas. Por outro lado, elas exigem trabalhar com antecedência no calendário de vendas, desenhando experiências temáticas e diversificando as razões pelas quais vale a pena se hospedar ali. Quando esse alinhamento é bem planejado e executado, o caminho fica livre para a fidelização de clientes.

Se a sua propriedade não está localizada em um destino tipicamente de frio, por exemplo, o inverno e os feriados menores exigem criatividade na oferta: invista em parcerias locais, promova eventos exclusivos internamente (como festivais de caldos, noites de fondue, festas à fantasia ou workshops) e crie pacotes que transformem a própria infraestrutura do hotel na principal motivação para a viagem.

4. Viagens para rever família e amigos estão em alta — viagens de eventos e corporativas também

Ao observar o top 10 dos destinos mais cobiçados, percebe-se que existe um predomínio de locais das regiões Sudeste, Nordeste e Sul — os estados de São Paulo (24%), Rio de Janeiro (15%) e Bahia (12%) ocupam as primeiras colocações.

Quando questionados sobre o que explicava seu interesse por fazerem uma viagem em um futuro próximo (novamente, nos 12 meses seguintes à realização da pesquisa), a resposta surpreendeu: 92% disseram que iriam visitar familiares ou amigos, um índice significativamente maior do que “viagens a lazer”, que registrou 84% e empatou com “viagem de saúde/turismo médico”. A medalha de prata foi para a opção “viagem de eventos”, com impressionantes 89%.

Outra das tendências do turismo são as viagens corporativas, que devem responder por 81% dos deslocamentos pelo país. Nesse sentido, cabe ressaltar que a consolidação do modelo híbrido de trabalho e o surgimento do conceito do “anywhere office” quebraram a tradicional barreira entre dias úteis e finais de semana, o que pode “inflar” a procura por hotéis mesmo por pessoas que não estejam de férias. Não à toa, características como qualidade da internet, existência de tomadas e espaços adequados para trabalhar estão crescendo nas avaliações dos hóspedes.

Segundo o levantamento conduzido pela Globo, 10% dos participantes já trabalham de forma remota, o que permite que viajem a qualquer momento, alimentando o chamado “bleisure” (combinação de trabalho e lazer na mesma viagem). Essa, aliás, foi uma das tendências apontadas na quarta edição do estudo “Insights para o turismo — as viagens de lazer no Brasil”, do Travel Leaders Hub. Após conversar com 511 viajantes de todas as regiões do país, a pesquisa mostrou que o bleisure é especialmente interessante para executivos entre 35 e 54 anos e em viagens de negócios ao exterior, com 48,3% dos brazucas tendo admitido mesclar trabalho e lazer nos últimos 12 meses.

5. O planejamento existe, mas o preço importa

Fotografia aérea de duas pessoas em uma mesa, em processo de planejamento de viagem. Suas mãos estão no centro, uma escrevendo em um caderno aberto e a outra segurando um tablet que exibe uma imagem de um resort ou hotel. Ao redor estão dispostos um mapa-múndi aberto, um calendário impresso, fotos de destino e documentos de viagem. No canto inferior direito, aparecem três cartões de crédito coloridos e duas xícaras de café. A imagem ilustra a etapa crucial de pesquisa e decisão na hotelaria, focando em como atrair hóspedes com planejamento cuidadoso.
Muita pesquisa e interesse redobrado com os preços: um dos atributos do perfil do novo viajante é utilizar sites que fazem comparações para encontrar o melhor custo-benefício | Crédito: Magnific

Uma das características do perfil do novo viajante é que ele tem se mostrado mais cauteloso, planejando melhor a viagem, interessando-se mais pelos detalhes — quais são as regras, o que está incluso, pelo que exatamente ele está pagando — e lidando com a questão financeira com mais responsabilidade, para que o passeio não se transforme em uma fonte de estresse.

A pesquisa indicou que 62% dos viajantes compram a viagem com pelo menos seis meses de antecedência. Porém, o que vai determinar se a reserva vai ou não existir é o preço. 71% dos respondentes disseram que escolhem o destino com base no custo total da viagem, e 71% também afirmaram esperar promoções e descontos antes de comprar passagens aéreas ou fechar a hospedagem. A busca pelo melhor custo-benefício se torna ainda mais óbvia quando paramos para analisar uma informação específica: 76% costumam comparar preços em diferentes sites antes de tomar a decisão.

Ou seja, o objetivo parece ser decidir menos por impulso, mas a espera estratégica por promoções pode alavancar o interesse por ofertas de última hora.

6. O intuito das viagens é descansar, passear e viver experiências autênticas

Hora certa para acordar e programações apertadas, daquelas que se assemelham a uma maratona? Que nada. Viajar para descansar e relaxar é uma das tendências do turismo mais proeminentes, encabeçando (48%) a lista de atividades mais cobiçadas para as próximas viagens. A pesquisa ainda sinaliza que o fator “possibilidade de descanso” é levado a sério pelo turista até quando ele está pesquisando para onde ir, sendo um item considerado por 32% das pessoas.

Isso significa que a ideia seja passar o dia inteiro dentro da acomodação ou da piscina? Não, de forma alguma. Afinal, o interesse número dois na lista de prioridades do viajante moderno é fazer passeios (44%), aspecto que está em consonância com outra tendência que já vem sendo realçada há tempos: a busca por autenticidade. Hoje, já não são os pontos turísticos convencionais que chamam a atenção; são as pequenas e muitas vezes desconhecidas experiências locais que satisfazem.

Para o setor hoteleiro, o grande segredo de como atrair hóspedes com esse perfil é adotando uma postura de “facilitador de bem-estar”. Dá para fazer isso por meio de parcerias com guias locais, que possam levar o cliente em passeios únicos pela região, e oferecendo mimos exclusivos para quando o hóspede retorna ao hotel, como a disponibilização de um escalda-pés no spa ou de uma massagem relaxante. Se o empreendimento consegue entender esse ritmo e entregar uma experiência que une o “conhecer o destino” ao descanso genuíno, o resultado natural é a fidelização de clientes.

Tudo isso que a gente incluiu neste post é uma versão resumida da pesquisa “O viajante brasileiro”. Tem muito dado bacana no material, então fica aqui o convite para acessar o conteúdo na íntegra. Agora, a gente gostaria de ouvir o que você tem a dizer: independentemente da sua área de atuação no hotel, como você enxerga essas seis tendências do turismo que nós citamos? É possível sentir o impacto de uma ou mais delas na rotina ou ainda é tudo muito “light”? Deixe um comentário abaixo!

Bruna Dinardi
Author: Bruna Dinardi